Detecção de objetos em cenários de escassez de rótulos usando pseudo-rótulos gerados pelo SAM3

O trabalho, de autoria dos pesquisadores do ICoNIoT João V. D. Sobrinho (UFRJ) e Miguel E. M. Campista (UFRJ), foi apresentado no XVIII Simpósio Brasileiro de Computação Ubíqua e Pervasiva no CSBC 2026

Esta pesquisa surgiu a partir de um projeto relacionado à indústria automotiva, e investiga um problema importante para aplicações de Inteligência Artificial: como treinar modelos de visão computacional quando há poucos dados rotulados disponíveis?

No aprendizado supervisionado, a máquina precisa de exemplos acompanhados de rótulos — algo semelhante a um gabarito. O modelo recebe uma imagem, produz uma resposta, compara essa resposta com o rótulo correto e, a partir do erro, ajusta seu comportamento. Quanto melhores e mais numerosos forem os exemplos utilizados no treinamento, maior tende a ser a capacidade do modelo de realizar a tarefa.

No projeto que deu origem ao trabalho, o objetivo é utilizar aprendizado federado no contexto automotivo, especialmente por questões relacionadas à privacidade dos dados. Uma das aplicações consideradas é a identificação de VRUs (Vulnerable Road Users, ou usuários vulneráveis da via) — como pedestres, ciclistas e skatistas — para que um sistema possa reconhecê-los e emitir alertas aos motoristas.

Para que esse sistema funcione, entretanto, o modelo precisa aprender a identificar esses usuários nas imagens. Há, nesse contexto, uma questão fundamental: quem vai dizer à máquina o que existe em cada imagem?

Imagine que sejam coletadas milhares de imagens de ruas e estradas. Para utilizá-las no treinamento, seria necessário que alguém identificasse e marcasse, uma a uma, a presença de pedestres, ciclistas e outros elementos. Esse processo de rotulagem é trabalhoso, caro e pouco escalável. Além disso, em um cenário real, não seria razoável esperar que o próprio cliente ou usuário final tivesse que realizar esse trabalho.

Uma alternativa é utilizar um modelo previamente treinado para produzir automaticamente esses rótulos. O problema é que esse modelo também pode cometer muitos erros. Se os rótulos gerados forem incorretos, esses erros acabam sendo incorporados ao treinamento e podem comprometer o desempenho do modelo final.

É nesse ponto que entra o SAM3, utilizado no trabalho para gerar pseudo-rótulos. Em vez de depender exclusivamente de uma pessoa para identificar manualmente os objetos nas imagens, utiliza-se o modelo para produzir automaticamente esses rótulos. A proposta é avaliar se esses pseudo-rótulos podem melhorar a qualidade dos dados disponíveis e, consequentemente, o desempenho do sistema de detecção de objetos em um cenário de escassez de rótulos.

O termo pseudo-rótulo vem justamente do fato de que o rótulo não foi produzido diretamente por um ser humano, mas pelo próprio modelo de Inteligência Artificial.

Há, porém, uma questão importante relacionada à privacidade. O SAM3 é um modelo da Meta e, quando imagens são enviadas para uma solução externa, surge a preocupação sobre o que acontece com esses dados. No trabalho, o SAM3 é executado localmente, reduzindo riscos relacionados à privacidade ao não envolver o envio dessas imagens a um serviço externo .

Da pesquisa ao mundo real

Um dos pontos levantados por Miguel Elias M. Campista é que a questão da rotulagem em aprendizado federado ainda é pouco explorada sob uma perspectiva prática. Existe uma quantidade significativa de pesquisa sobre os modelos e métodos, mas outra pergunta permanece em aberto: como transformar essas soluções em sistemas que possam efetivamente funcionar no mundo real?

Quando uma tecnologia sai do ambiente controlado da pesquisa acadêmica e passa a ser incorporada a um produto ou serviço, surgem diversos desafios que nem sempre aparecem nos experimentos científicos, ou que se intensificam ainda mais, como privacidade, qualidade dos dados, custos de implementação, infraestrutura, escalabilidade e interação com usuários reais.

Assim, o trabalho não trata apenas de encontrar uma maneira de melhorar a detecção de objetos. Ele também se insere em uma questão maior: que é a de como fazer a ponte entre o conhecimento produzido na academia e sua implementação em aplicações reais.

Leia o artigo completo nos anais do CSBC https://sol.sbc.org.br/index.php/sbcup/article/view/43295

1º Simpósio Brasileiro de Computação e Comunicação Quânticas (SBCCQ 2026) acontece dia 23/7 no CSBC

O 1º Simpósio Brasileiro de Computação e Comunicação Quânticas faz parte da programação do CBSC. Na coordenação estão os pesquisadores do ICoNIoT Antônio Jorge Abelém (UFPA) e Jeferson Nobre (UFRGS), ao lado do pesquisador Adenilton Silva (UFPE). O O evento ocorrerá na Sala Hortênsia Esquerda a partir das 8h. A programação conta com a palestra ‘Síntese de Circuitos Quânticos’, apresentações de artigos e pôsteres, o evento base SECOMU e quatro Sessões Técnicas:
ST 1 – Algoritmos Quânticos, Compilação e Programação – Chair: Antônio Abelém;
ST 2 – Algoritmos Variacionais e Otimização Quântica – Chair: Diego Abreu;
ST 3 – Inteligência Artificial Quântica e Aplicações – Chair: Adenilton José da Silva;
ST 4 – Redes Quânticas, Segurança e Ecossistema – Chair: Jéferson Nobre
Todas as informações encontram-se disponíveis no link do simpósio

CSBC começa dia 19 de julho em Gramado

Programação completa já está disponível online

O CSBC – Congresso da Sociedade Brasileira de Computação – começa no dia 19, estendendo-se até o dia 23 de julho, e a programação completa já está no website. Este ano, o congresso conta com 10 eventos base e 17 eventos satélites. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), principal entidade científica da área no Brasil. Nesta edição, estão na organização os pesquisadores Weverton Cordeiro e Alberto Egon Schaeffer Filho (UFRGS) – ambos pesquisadores vinculados ao INCT ICoNIoT – que aguardam por todos em Gramado.

Papel social

O CSBC, para além de ser um congresso científico, cumpre um papel social vital ao reunir nossa comunidade para apresentar resultados e fortalecer relações que impulsionam a inovação. O congresso contribui para que professores, estudantes e profissionais de todo o país possam finalmente se reencontrar e colaborar.

A cada ano, o congresso propõe um novo desafio. Para a 46ª edição em 2026, o tema central escolhido é: “Transformação Digital para um Mundo em Emergência Climática”. Saiba mais

Os organizadores do congresso Weverton Cordeiro e Alberto Egon Schaeffer Filho esclarecem que essa escolha foi motivada por eventos climáticos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, e fortes chuvas com impactos severos como recentemente aconteceu em Juiz de Fora, MG. 

Diante desses cenários, a área da computação se mostra uma aliada indispensável na busca por soluções, que incluem sistemas de monitoramento e sensores de alta precisão; tecnologias para a aceleração de procedimentos de evacuação e a computação aplicada à gestão do meio ambiente e dos recursos naturais.

Em julho de 2026, Gramado será o palco para debatermos como a tecnologia pode salvar vidas e construir um futuro climaticamente mais resiliente.

Junte-se a nós em Gramado em julho.

CSBC 2026 será marcado pela diversidade na programação

O CSBC caracteriza-se por sua ampla e diversificada programação científica.

A edição de 2026 contará com 10 eventos base e 16 eventos satélites, contemplando diferentes áreas e níveis de formação. 

Entre os destaques estão a Jornada de Atualização em Informática (JAI), o Women in Information Technology (WIT), o Concurso de Teses e Dissertações (CTD), o Encontro Nacional de Computação dos Institutos Federais (ENCompIF) e o COMPUTEC.

Essa diversidade possibilita a participação de diferentes públicos, desde estudantes em formação inicial até pesquisadores e profissionais envolvidos em discussões avançadas sobre tecnologia, mercado e gestão.

O CSBC 2026 será realizado de 19 a 23 de julho, em Gramado.

O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), principal entidade científica da área no Brasil. Nesta edição, estão na organização os pesquisadores Weverton Cordeiro e Alberto Egon Schaeffer Filho (UFRGS), ambos pesquisadores vinculados ao INCT ICoNIoT.

Saiba mais

“Transformação Digital para um Mundo em Emergência Climática” é tema do CSBC 2026

De que maneira a Computação pode contribuir para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos?

O tema central do CSBC 2026, “Transformação Digital para um Mundo em Emergência Climática”, propõe uma reflexão crítica sobre o papel das tecnologias digitais na mitigação dos impactos ambientais e na construção de futuros mais sustentáveis.

O evento contará com sessões técnicas, mesas de debate e palestras com especialistas nacionais e internacionais, promovendo um espaço qualificado para discussão interdisciplinar sobre inovação tecnológica e sustentabilidade.

Saiba mais sobre o CSBC 2026