Blog

Pesquisador Dr. Luiz Bittencourt apresenta webinar dia 2 de julho

O seminário será intitulado ‘The Computing Continuum: Beyond Cloud and Edge Intelligence’

Com a combinação da Internet das Coisas, da computação de ponta e da computação em nuvem, os serviços de computação podem ser distribuídos por um conjunto de recursos computacionais que abrangem todo o espectro, desde os dispositivos dos usuários até a infraestrutura computacional intermediária implantada entre eles. As tecnologias de rede em evolução proporcionam maior largura de banda e capacidade de transmissão de dados com menor latência, permitindo que os recursos computacionais distribuídos sejam tratados como uma plataforma interconectada, distribuída e heterogênea. Esse continuum de capacidade computacional pode ser utilizado para processar grandes quantidades de dados com tempos de resposta reduzidos. No entanto, criar uma infraestrutura de computação distribuída integrada e gerenciar seus recursos para otimizar aplicativos com requisitos altamente heterogêneos continua sendo um desafio, mesmo após décadas de pesquisa. O surgimento de técnicas de aprendizado de máquina distribuídas acrescenta ainda mais complexidade, mas também introduz mecanismos adicionais para lidar com esse problema. Nesta palestra, Dr. Luiz Bittencourt apresentará uma visão geral do problema da alocação de recursos, com foco em aspectos que podem ajudar a construir um Continuum de Computação Inteligente.

O palestrante

Luiz Bittencourt é professor associado da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no Brasil. Luiz recebeu o Prêmio Jovem Profissional da IEEE ComSoc América Latina em 2013. Ele atua na organização de diversas conferências nas áreas de computação em nuvem e computação de borda, além de participar de vários comitês de programa técnico. Atuou como editor associado da revista IEEE Cloud Computing Magazine e, atualmente, atua como editor associado das revistas “Computers and Electrical Engineering” e “Internet of Things”, do “Journal of Network and Systems Management” e da “IEEE Networking Letters”. Seus principais interesses são a gestão de recursos e o agendamento na computação em nuvem, de borda e em névoa, bem como sua sinergia rumo a um continuum de computação inteligente por meio de técnicas de aprendizado de máquina distribuído.

Webinar

Data: 2 de julho de 2026

Horário: 16h (Brasília)

Transmissão: youtube.com/@incticoniot

 

CSBC 2026 será marcado pela diversidade na programação

O CSBC caracteriza-se por sua ampla e diversificada programação científica.

A edição de 2026 contará com 10 eventos base e 16 eventos satélites, contemplando diferentes áreas e níveis de formação. 

Entre os destaques estão a Jornada de Atualização em Informática (JAI), o Women in Information Technology (WIT), o Concurso de Teses e Dissertações (CTD), o Encontro Nacional de Computação dos Institutos Federais (ENCompIF) e o COMPUTEC.

Essa diversidade possibilita a participação de diferentes públicos, desde estudantes em formação inicial até pesquisadores e profissionais envolvidos em discussões avançadas sobre tecnologia, mercado e gestão.

O CSBC 2026 será realizado de 19 a 23 de julho, em Gramado.

O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), principal entidade científica da área no Brasil. Nesta edição, estão na organização os pesquisadores Weverton Cordeiro e Alberto Egon Schaeffer Filho (UFRGS), ambos pesquisadores vinculados ao INCT ICoNIoT.

Saiba mais

Workshop do ICoNIoT aconteceu no último dia 27 no SBRC 2026

O 44º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2026) foi realizado em Praia do Forte, na Bahia, entre os dias 25 e 29 de maio de 2026. No dia 27, tivemos o workshop do nosso INCT ICoNIoT.
 
A reunião, liderada por Eduardo Cerqueira (UFPA), contou com a participação do keynote speaker Torsten Braun, da Universidade de Berna, além dos pesquisadores do ICoNIoT Carlos Kamienski (UFABC), Flavia Delicato (UFF), Marcelo Fernandes (UFRN), Allan Souza (UNICAMP),  Everton Cavalcante (UFRN), Luiz Fernando Bittencourt (UNICAMP), Edmundo Madeira (UNICAMP), Rafael Lopes (UECE), Augusto Neto (UFRN) e Carlos Trujillo (UNICAMP). 
 
Na ocasião, foram apresentados os avanços nos projetos e abertos novos espaços para colaborações.
Foi um momento de grande sucesso para o nosso INCT. Confira o vídeo!

SBRC 2026 com muitos motivos de comemoração para o ICoNIoT

O 44º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2026) foi realizado em Praia do Forte, na Bahia, entre os
dias 25 e 29 de maio de 2026. Além de termos obtido grande sucesso com a realização do nosso workshop, estamos celebrado também várias conquistas de nossa equipe:

. O artigo *Agente VAMOS! Planejamento de Rotas Veiculares Cientes de
Contexto Semântico com Agentes de LLM* de autoria de Carnot Braun,
Daniel Ludovico Guidoni, Eduardo Coelho Cerqueira, Joahannes Bruno Dias
da Costa, Leandro Villas, Allan Mariano de Souza, recebeu Menção Honrosa
na Trilha Principal do SBRC 2026
.

. A tese de doutorado intitulada *”Técnicas de Gerenciamento de Sobrecarga
e Alocação de Recursos para Comunicação Massiva do Tipo Máquina em Redes de Acesso 3GPP”* de autoria de Tiago Pedroso (UNICAMP), e orientada pelo Prof. Nelson Fonseca (UNICAMP, e coordenador geral do ICoNIoT) recebeu menção honrosa no Concurso de Teses e Dissertações (CTD) do SBRC 2026.

. A dissertação de mestrado intitulada *”Detecção de Colisões e
Priorização no Acesso Aleatório mMTC Inteligentes em Redes Celulares
IoT”*, de autoria de Giancarlo Maldonado Cardenas, e orientada pelos
professores Nelson L.S. da Fonseca e Carlos A. Astudillo, foi agraciada
com menção honrosa no Concurso de Teses e Dissertações (CTD) do SBRC 2026.

. O artigo “Controle Seguro e Evasão de Colisões em Tráfego Denso de
Drones via Aprendizado por Reforço”, de Henrique J. Felisardo dos
Santos, Israel da Silva Barros, Luiz Fernando Bittencourt, Carlos
Kamienski e Fabíola M. C. de Oliveira, recebeu menção honrosa no Workshop de Computação Urbana (CoUrb).

. O artigo *”Self-Supervised Learning for Early Preamble Collision
Detection in Cellular IoT Networks”*, de autoria de Daniela M.
Casas-Velasco, Diogo Maciel Cunha, Marco Aurelio Guerra Pedroso,
Giancarlo Maldonado Cardenas, Carlos Alberto Astudillo Trujillo e Nelson
Fonseca, recebeu menção honrosa no I Workshop de Inteligência
Artificial para Redes de Computadores (WIARC) do SBRC 2026.

. O artigo “A Performance Comparison of Authentication and Authorization Patterns for Microservices Applications”, de Rafael Freitas Cardoso (UFRGS) e Jeferson Campos Nobre (UFRGS), recebeu menção honrosa no WGRS – XXXI Workshop de Gerência e Operação de Redes e Serviços do SBRC 2026.

Prof. Edmundo Madeira recebe o Prêmio Destaque SBRC

Confira como foi o momento da entrega!
O Prof. Edmundo Madeira recebeu o Prêmio Destaque SBRC – Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos, intitulado Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte, durante a Cerimônia de Abertura do @simposio.sbrc SBRC 2026, realizada na última terça 26 de maio na Praia do Forte, na Bahia. Saiba mais sobre a indicação do professor ao prêmio.
Confira o vídeo:

Conheça o projeto ‘Agente K-alibra: Estratégia para Seleção de K-Clientes em Aprendizado Federado autônoma’

O Agente K-alibra é um orquestrador baseado em Modelos de Linguagem (LM) projetado para ajustar dinamicamente o número de clientes () participantes em cada rodada de Aprendizado Federado (FL).Ele foi criado para superar a rigidez de algoritmos estáticos tradicionais, que geralmente utilizam um número fixo de clientes, o que pode resultar em ineficiência ou sobrecarga de rede.

O projeto foi desenvolvido a partir de uma parceria de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que fazem parte do ICoNIoT. São eles: Rafael O. Jarczewski (UNICAMP), Eduardo Cerqueira (UFPA), Antonio Loureiro (UFMG) , Leandro A. Villas (UNICAMP) e Allan de Souza (UNICAMP). Ele está publicado nos anais do SBRC 2026, e pode ser lido na íntegra aqui.

O Aprendizado Federado (FL) é uma maneira de treinar inteligência artificial de forma segura, já que os dados de cada pessoa ficam protegidos em seus próprios aparelhos, sem precisar serem enviados para uma central. O problema é que esse processo costuma gastar muita internet e fica difícil de gerenciar quando há muitos usuários.

Atualmente, para tentar resolver isso, os sistemas escolhem quais aparelhos vão participar do treino. Porém, esses sistemas são “teimosos”: eles costumam usar sempre a mesma quantidade de aparelhos, sem mudar esse número conforme a necessidade do momento. Isso faz com que o processo gaste recursos desnecessários ou demore para aprender.

Para acabar com essa rigidez, foi criado o K-Agent. Ele funciona como um “chefe” inteligente (usando modelos de linguagem, parecidos com o que há por trás de chats de IA) que decide dinamicamente quantos aparelhos devem participar em cada etapa.Ele trabalha em três passos:

  1. Percebe como está a situação atual do treino.
  2. Raciocina para encontrar a melhor estratégia.
  3. Age, definindo o número ideal de participantes.

Os testes mostraram que o K-Agent é muito eficiente: ele consegue economizar entre 44,4% e 59% do uso da internet em comparação com os métodos tradicionais, mantendo o aprendizado estável e de alta qualidade.

Além disso, ele consegue explicar o porquê de suas decisões, tornando o sistema mais transparente para os desenvolvedores.

Conheça o Agente VAMOS – Vehicular Agent for Multi-objective Optimization and Semantics

Fruto da colaboração de pesquisadores do ICoNIoT de quatro universidades brasileiras, o projeto é um dos indicados para o prêmio de Best Paper no SBRC 2026

O projeto Agente VAMOS! Planejamento de Rotas Veiculares Cientes de Contexto Semântico com Agentes de LLM é resultado da colaboração dos pesquisadores Carnot Braun (Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP), Daniel L. Guidoni (Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP), Eduardo Cerqueira (Universidade Federal do Pará – UFPA), Joahannes B. D. da Costa (Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP), Leandro Villas (UNICAMP) e Allan M. Souza (UNICAMP).

O agente desenvolvido pela equipe, intitulado VAMOS (Vehicular Agent for Multi-objective Optimization and Semantics), funciona como um sistema inteligente capaz de formular trajetos personalizados ao interpretar o contexto ambiental e as prioridades individuais de cada usuário. Ele vem superar sistemas de navegação tradicionais, que priorizam a eficiência métrica, como tempo e distância, mas falham na interpretação de intenções humanas mais complexas e dependentes de contexto. 

Diferente dos navegadores convencionais, esse agente utiliza um LLM – Large Language Model – para sugerir paradas estratégicas, como postos de gasolina ou mercados, baseando-se no aprendizado contínuo sobre o perfil do viajante. O diferencial da tecnologia reside na sua capacidade de processar informações complexas para otimizar rotas sem a necessidade de comandos geográficos excessivamente específicos. 

O projeto enfrenta o desafio técnico de equilibrar o processamento robusto em servidores externos com a viabilidade de rodar modelos menores diretamente em dispositivos móveis. 

Leia o trabalho dos pesquisadores publicado nos anais do SBRC 2026

 

Prof. Edmundo Roberto Mauro Madeira (UNICAMP) escolhido para receber o Prêmio Destaque SBRC em 2026

A entrega do Prêmio Destaque SBRC – Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte ocorrerá durante a Cerimônia de Abertura do SBRC 2026, a ser realizada no dia 26/05/2026 na Praia do Forte, na Bahia.

Reconhecimento

O nome do Prof. Edmundo foi escolhido por uma Comissão de Seleção composta pelas pessoas agraciadas com o mesmo prêmio nos últimos cinco anos, em reconhecimento a toda a sua trajetória e às contribuições à comunidade científica brasileira nas áreas de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos.

Sobre o prêmio

O prêmio Destaque SBRC foi criado em 2012, como parte das comemorações dos trinta anos do SBRC, e tem como objetivo homenagear pessoas da comunidade do SBRC que se distinguiram ao longo de suas vidas por suas contribuições científicas nas áreas de redes de computadores e sistemas distribuídos, por seus engajamentos em atividades do SBRC e/ou por serviços prestados em benefício da comunidade brasileira de redes e sistemas distribuídos.

Em 2022, o prêmio destaque passou a se chamar Prêmio Destaque SBRC Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte. Otto era graduado em Engenharia Eletrônica pela UFRJ e tinha mestrado em Engenharia Elétrica pela Coppe/UFRJ e doutorado em Teleinformática na Ecole Nationale Supérieure des Télécommunications (ENST), em Paris, França. Tornou-se Professor Titular da UFRJ em 2003. Ele era reconhecido como bolsista de produtividade nível 1A do CNPq e como Cientista do Nosso Estado do Rio de Janeiro. Orientou 17 teses de doutorado, 55 dissertações de mestrado e mais de 180 trabalhos de iniciação científica. Ele teve mais de 350 artigos publicados em revistas e congressos com revisão.

Trajetória do homenageado deste ano

O Prof. Edmundo é atualmente Professor Titular do Instituto de Computação da UNICAMP, universidade na qual concluiu seu Doutorado em Engenharia Elétrica em 1991. No INCT ICoNIoT, é coordenador da linha temática Redes Veiculares. Possui uma vasta produção científica nas áreas de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos, com mais de 6.000 citações, abrangendo temas críticos como gerência de redes, computação em nuvem e virtualização de redes. Sua reputação acadêmica foi reconhecida pelo Prêmio Zeferino Vaz de Reconhecimento Acadêmico da UNICAMP em 2004, e sua atuação inclui ainda a coordenação de projetos de pesquisa de relevância nacional e a articulação em diversas redes de pesquisa no País, a exemplo dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs).

O Prof. Edmundo possui atuação destacada na organização e estruturação do SBRC, o principal evento da área no Brasil, tendo contribuído diretamente para a qualidade técnica e científica do Simpósio ao longo de diversas edições. Na docência, contribui fortemente para a formação de recursos humanos de alto nível e na mentoria de jovens pesquisadores. Além da docência, atua ativamente na comunidade científica, sendo membro do Corpo Editorial do Journal of Network and Systems Management (JNSM), da Springer.

Confira a programação do nosso workshop no SBRC 2026

O workshop do ICoNIoT no SBRC será realizado no dia 27 de maio e contará com palestra especial do keynote Torsten Braun iniciando às 10h30. Confira na tabela abaixo os horários definidos para cada linha temática de pesquisa e os pesquisadores que irão apresentar:

Hora Tema
10:15 – 10:30 Abertura
10:30 – 11:00 Keynote Dr. Tortsten Braun – “Energy-efficient Federated Transfer Learning for Privacy-Preserving Energy-Usage Forecasting”
11:00 – 11:15 IoT – Dr. Flavia Delicato
11:15 – 11:30 Saúde Digital – Dr. Debora Christina Muchaluat Saade
11:30 – 11:45 Inteligência Artificial – Dr. Allan Mariano
12:00 – 14:00 Almoço livre
14:00 – 14:15 Cidades Inteligentes – Dr. Nélio Cacho
14:15 – 14:30 Computação na Borda – Dr. Luiz Bittencourt
14:30 – 14:45 Segurança – Dr. Michele Nogueira Lima
14:45 – 15:00 Redes Veiculares – Dr. Edmundo Madeira
15:00 – 15:25 Redes Ópticas – Dr. Hélder May Oliveira
15:25 – 15:30 Escola São Paulo de Ciência Avançada e Encerramento

Pesquisa de Jéferson Nobre, da UFRGS e membro do ICoNIoT, une computação confidencial e comunicação anônima

O objetivo é a busca de soluções para a cibersegurança da computação na nuvem

O pesquisador Jéferson Nobre (UFRGS) tem trabalhado numa abordagem de pesquisa bastante recente que se relaciona com a cibersegurança aplicada à computação em nuvem: a computação confidencial. Conforme o pesquisador explica, mesmo que se saiba muito acerca da área de cibersegurança, há diversos desafios que são pertinentes especificamente à computação na nuvem. Esses desafios exigem um olhar para além daquilo que normalmente se considera.

O que há de novo?

A computação em nuvem se tornou a infraestrutura invisível do nosso cotidiano digital. Mensagens no celular, sistemas de inteligência artificial, aplicativos, praticamente tudo depende dessa infraestrutura. Nesse cenário, quais são as principais lacunas de cibersegurança e onde há mais vulnerabilidade?

Hoje, nossos dispositivos — especialmente smartphones — não têm capacidade para processar tudo localmente. Por isso, enviamos dados constantemente para a nuvem, onde eles são processados e devolvidos. E isso gera vulnerabilidade, pois não é raro que provedores de nuvem vazem informações mesmo sem intenção. Esse é um ataque à confidencialidade e à privacidade, que tem sido observado em muitos acontecimentos nos últimos anos, responsáveis por aumentar a preocupação com essa brecha.

Em cibersegurança, dois conceitos fundamentais são justamente a confidencialidade e a privacidade. A confidencialidade é uma responsabilidade das organizações ou empresas, que devem resguardar a privacidade dos usuários. Isto é, as organizações provedoras de serviços precisam garantir que somente elas e as pessoas a quem elas derem esse direito acessarão as informações dos usuários. Já os usuários têm o direito de manter privadas as suas informações.

A contribuição da computação confidencial

A vulnerabilidade maior se encontra no processamento. Embora existam soluções maduras para dados em repouso e em trânsito, a fase de processamento ainda é uma lacuna que a computação confidencial busca preencher para estender as garantias de segurança para o momento do processamento.

O que a computação confidencial busca, nesse contexto, é a oferta de um conjunto de técnicas e arquiteturas que permitem a execução de cargas de trabalho em ambientes isolados, com garantias formais de confidencialidade e integridade.

A computação confidencial parte da ideia de que é possível criar, dentro da nuvem, um ambiente seguro no qual os dados possam ser processados sem comprometer a confidencialidade. Isso é viabilizado por meio dos chamados Ambientes de Execução Confiáveis (Trusted Execution Environments – TEEs). Essa tecnologia é baseada em hardware e funciona criando, dentro do próprio processador, uma área isolada e protegida. Nesse espaço, tanto os dados quanto o código permanecem criptografados, impedindo o acesso externo — inclusive por parte do provedor de nuvem.

Além disso, esse ambiente permite um mecanismo chamado atestação remota, que possibilita verificar, à distância, se o código em execução é exatamente aquele que foi originalmente enviado e se está rodando dentro de um ambiente seguro. Dessa forma, aumenta-se a confiança no processamento de dados sensíveis na nuvem.

Comunicação anônima

O problema é que, mesmo com essas abordagens, ainda é possível identificar quem gerou uma determinada carga de trabalho por meio da análise do tráfego. Esse tipo de vulnerabilidade está associado aos chamados ataques a metadados, isto é, as informações sobre os dados, como quem enviou, o volume transmitido, o horário e a frequência das interações. Para mitigar esse risco, surge a comunicação anônima, cuja proposta é desvincular os dados da identidade de quem os gerou, desacoplando essas informações.

Atualmente, já existem alguns padrões nessa área. Um dos principais é o OHTTP (Oblivious HTTP), uma variação do protocolo HTTP que introduz anonimato na transmissão de dados. Esse modelo exige a presença de um elemento intermediário independente da organização (relay resource) e um gateway, atuando entre o usuário e o ambiente de execução confiável. Com isso, adiciona-se uma camada extra de proteção, dificultando a correlação entre os dados transmitidos e sua origem.

O caso dos sistemas de mensageria

Como estudo de caso central, Jéferson Nobre traz o sistema Meta Private Processing, que utiliza Ambientes de Execução Confiáveis (TEEs), atestação remota e o protocolo Oblivious HTTP para processar mensagens do WhatsApp via nuvem (única opção possível, já que não é possível fazer o processamento com IA das informações vcom os recursos do smartphone de cada usuário) sem que a empresa acesse o conteúdo ou os metadados.

A ideia é que se possa gerar resumos de conversas por IA sem acesso ao conteúdo pelo provedor, o que garantiria a privacidade aos usuários (hoje resultante da criptografia fim a fim).

A solução seria um pipeline de computação confidencial + computação anônima, permitindo o processamento por IA de modo a preservar as promessas de privacidade que o WhatsApp faz. Nessa solução, nenhum componente tem acesso simultâneo à identidade do usuário, ao conteúdo e ao ambiente de execução.

Hoje a Meta tem o Meta AI, adicionado manualmente a uma conversa, com acesso ao que o usuário envia explicitamente mas não à caixa completa do usuário. É um controle na superfície. No caso do Private Processing, processa-se toda a caixa do usuário, que precisa ativar voluntariamente essa funcionalidade. A garantia de confidencialidade se daria por um conjunto de tecnologias que incluem TEE e OHTTP.  Uma empresa intermediária é a responsável por desacoplar a origem e o destino, e outra empresa precisa fazer a auditoria – o que traz uma dificuldade, pois essa empresa precisa ser independente e idônea. Além disso, uma outra organização tem um papel na configuração de chaves criptográficas. Para a adoção das tecnologias, portanto, a fragmentação do ecossistema é um dos grandes obstáculos.

Desafio adicional

O ambiente criptografado dentro da nuvem tem um custo alto. O uso de TEEs exige que o Grande Modelo de Linguagem (LLM) seja executado integralmente dentro desse ambiente seguro. Nesse contexto, não é apropriado utilizar modelos gerais pertencentes aos provedores de serviços, como os da Meta, uma vez que isso poderia implicar o uso dos dados processados para fins de treinamento. Assim, o processamento deve ocorrer de forma isolada no ambiente confiável, garantindo que os dados sejam utilizados exclusivamente para a execução da tarefa e, posteriormente, eliminados, sem qualquer retenção.

Como abordar a computação confidencial e a comunicação anônima?

A computação confidencial é capaz de preencher a lacuna entre proteção de dados em repouso/trânsito e em uso, o que traz um avanço real mas não representa uma solução completa para a segurança dos sistemas em nuvem. As garantias dependem da integridade do hardware, firmware, da cadeia de suprimento e dos serviços de atestação. A confiança é estendida e redistribuída. Nesse contexto, a comunicação anônima é complementar, protegendo metadados que a computação anônima sozinha não cobre. A auditabilidade e a transparência são requisitos não opcionais, já que auditorias independentes e logs imutáveis são parte do modelo de confiança.

Assista ao webinar de Jéferson Nobre

O pesquisador Jéferson Nobre apresentou, no dia 16 de abril de 2026, um webinar intitulado ‘Análise de Segurança da Computação Confidencial e da Comunicação Anônima’, oferecendo exemplos e esquemas na forma de imagens para uma melhor compreensão das questões abordadas. Assista no nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=Rv-fUefBV-c