Uma Arquitetura Descentralizada para Aprendizado Federado Baseada em Blockchain: um estudo de caso sobre mecanismos de consenso

O Aprendizado Federado já é uma tecnologia consolidada e amplamente utilizada por empresas como a Google, que emprega essa abordagem em treinamentos realizados diretamente nos dispositivos dos usuários. Mas, neste trabalho, os pesquisadores Francinaldo Barbosa (UFPI), Luis Guilherme Silva (UFPI), Iure Fé (UFPI), Israel Cardoso (UFPI), Alex Vieira (UFJF), Geraldo P. Rocha Filho (UESB) e Francisco Airton Silva (UFPI) focaram em ampliar essa arquitetura ao integrar o Aprendizado Federado com Blockchain, buscando aumentar a segurança e a confiabilidade do processo de treinamento distribuído.

O trabalho aborda o aprendizado de máquina distribuído, que se distingue do modelo tradicional de aprendizado de máquina porque, neste último, os dados dos clientes são enviados para um servidor central, que possui maior capacidade computacional para processá-los e treinar o modelo. Entretanto, esse processo exige que grandes volumes de dados trafeguem pela rede, o que pode gerar problemas relacionados à privacidade, à segurança e ao risco de ataques maliciosos. O Aprendizado Federado surge justamente para minimizar esses problemas. Em vez de enviar os dados dos usuários ao servidor, cada cliente realiza localmente o treinamento do modelo utilizando seus próprios dados. Após essa etapa, apenas os parâmetros ou pesos atualizados do modelo são enviados ao servidor central, enquanto os dados permanecem armazenados no dispositivo do cliente. Dessa forma, reduz-se a circulação de informações sensíveis e preserva-se a privacidade dos usuários.

Para alcançar seu objetivo, os autores utilizaram o FLEX, um framework voltado para simulações de Aprendizado Federado. Esse framework possui diferentes bibliotecas, entre elas a FlexBlock, responsável por integrar o Aprendizado Federado com Blockchain. Essa integração permite registrar e validar as atualizações do modelo de forma descentralizada, aumentando a segurança do processo e dificultando manipulações maliciosas.

A arquitetura proposta combina dois modelos de comunicação:

  • Cliente-servidor, utilizado durante o treinamento realizado pelos clientes e no envio das atualizações do modelo;
  • Peer-to-peer (P2P), utilizado para a comunicação entre os diferentes nós (servidores) da rede Blockchain.

Na arquitetura Blockchain, os servidores participam de um processo de consenso para decidir qual atualização será incorporada ao bloco seguinte da cadeia. O artigo compara dois mecanismos de consenso.

O primeiro mecanismo baseia-se na lógica semelhante ao Proof of Work (PoW), na qual vence o servidor que realizou maior trabalho computacional para validar o bloco.

O segundo mecanismo considera o desempenho obtido no treinamento, priorizando o servidor que apresentou os melhores resultados (por exemplo, maior acurácia) ao atualizar o modelo.

O objetivo do estudo foi comparar esses mecanismos para identificar qual apresenta melhor desempenho e maior potencial de aplicação em cenários reais de Aprendizado Federado com Blockchain.

O treinamento ocorre por meio de rodadas sucessivas, característica típica do Aprendizado Federado. Em cada rodada, os clientes treinam localmente o modelo, enviam seus parâmetros atualizados ao servidor e um novo modelo global é gerado. Esse processo é repetido por um número de rodadas previamente definido.

Uma das principais métricas analisadas foi a acurácia, que indica o quanto o modelo melhora seu desempenho ao longo das rodadas de treinamento – isto é, mede o quanto o modelo “aprendeu”.

Os autores observaram que o mecanismo baseado em Proof of Work apresenta oscilações mais acentuadas na evolução da acurácia. Isso ocorre porque o consenso privilegia o servidor que realizou maior esforço computacional, e não necessariamente aquele que produziu o melhor modelo treinado. Assim, pode acontecer de um servidor vencer o consenso mesmo sem possuir os melhores resultados de treinamento.

Idealmente, espera-se que a evolução da acurácia apresente crescimento gradual e estável até atingir um ponto de estabilização, indicando convergência do modelo.

Outro resultado analisado aparece no Gráfico 2 da página 11 (o artigo está publicado aqui – https://sol.sbc.org.br/index.php/sbrc/article/view/42375), que apresenta a perda (loss) do modelo ao longo das rodadas. Essa métrica indica o erro do modelo durante o treinamento e permite avaliar sua capacidade de convergência: quanto menor a perda, melhor tende a ser o desempenho do modelo.

Desafios identificados

Os autores destacam algumas limitações do estudo.

A principal delas é que o framework FLEX ainda é bastante recente, havendo pouca documentação e poucos trabalhos publicados sobre suas bibliotecas específicas, especialmente sobre a FlexBlock. Essa limitação dificulta comparações com outros estudos e restringe a maturidade da ferramenta.

Outro ponto observado é que, embora a biblioteca disponibilize três mecanismos de consenso, apenas dois foram utilizados na pesquisa. Um terceiro mecanismo não foi incluído porque aparentava estar desatualizado ou ainda não plenamente funcional.

Além disso, o estudo poderia ter sido enriquecido pela comparação com um número maior de mecanismos de consenso utilizados em Blockchain, ampliando a análise sobre desempenho, segurança e eficiência.

Trabalhos futuros

Como continuidade da pesquisa, os autores sugerem os seguintes passos: avaliar um número maior de métricas de desempenho; comparar outros mecanismos de consenso para Blockchain; investigar o custo computacional e energético de cada mecanismo ao longo das rodadas de treinamento; ampliar os experimentos para cenários mais próximos de aplicações reais de Aprendizado Federado.

Leia o artigo completo nos anais do SBRC 2026: https://sol.sbc.org.br/index.php/sbrc/article/view/42375 

 

Agregação Dinâmica de Enlaces e Redistribuição de Fluxos em Redes SDN Híbridas

De autoria dos pesquisadores William L. Reiznautt e Nelson Fonseca, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), trabalho de pesquisa apresenta o H-DLAFR, uma solução tecnológica criada para gerenciar a agregação dinâmica de enlaces e a redistribuição de tráfego em redes que combinam equipamentos modernos SDN (Redes Definidas por Software) com switches tradicionais. 

As redes SDN adotam uma arquitetura que separa o plano de controle do plano de dados, permitindo que políticas de encaminhamento sejam programadas e gerenciadas de forma centralizada.

Assim, grandes redes, como as de empresas com filiais distribuídas geograficamente, podem simplificar o gerenciamento, reduzir custos operacionais e facilitar a automação de alterações e políticas de distribuição dos fluxos de dados.

Apesar de seus avanços, a adoção completa de SDN ainda enfrenta desafios em ambientes corporativos e acadêmicos, especialmente pela presença de equipamentos tradicionais ou legados que não oferecem suporte à programabilidade SDN ou que não podem receber atualizações capazes de incorporar essa funcionalidade. É nesse contexto que surgem as redes SDN híbridas, que combinam a programabilidade do SDN com a estabilidade das redes tradicionais. Nelas, equipamentos SDN são posicionados em pontos estratégicos, permitindo controlar indiretamente dispositivos legados e coletar métricas sobre o comportamento global da rede. 

A lacuna que motivou este trabalho foi a inexistência de uma solução que combine a programabilidade do SDN com a compatibilidade de switches tradicionais para permitir agregação dinâmica e redistribuição adaptativa de fluxos em redes híbridas. O modelo proposto neste artigo, denominado H-DLAFR (Hybrid Dynamic Link Aggregation and Flow Redistribution), foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna, oferecendo uma abordagem compatível, automatizada e resiliente para a agregação de enlaces em redes SDN híbridas.

Inovação

A inovação central do projeto consiste em utilizar quadros RARP para atualizar indiretamente a tabela de encaminhamento por endereços MAC, denominada FDB, dos switches tradicionais.

Complementarmente, a política H-LARP monitora periodicamente a utilização dos enlaces e redistribui os fluxos de dados de acordo com as condições observadas, reduzindo sobrecargas e superando as limitações do balanceamento estático utilizado pelo LACP. Testes experimentais confirmam que essa abordagem aumenta significativamente a vazão agregada e a resiliência da infraestrutura, garantindo uma transição eficiente para redes programáveis. Assim, o modelo oferece automação e balanceamento de carga adaptativo em ambientes de rede heterogêneos. Além dos ganhos de vazão e de utilização dos enlaces demonstrados experimentalmente, a arquitetura incorpora mecanismos de detecção de falhas e autorrecuperação.

 Os experimentos foram realizados em uma combinação de ambiente virtualizado e equipamentos físicos reais.

A pesquisa, apresentada no SBRC 2026, está publicada em https://sol.sbc.org.br/index.php/sbrc/article/view/42278/42045

A virtualização na indústria: de hardware fixo a aplicativos na borda

O compartilhamento do aplicativo na borda pode gerar problemas de atraso. Mas pesquisa do professor Marcelo Fernandes, do INCT ICoNIoT, tem mostrado que, dependendo do sistema de controle, o compartilhamento é viável

Historicamente, os sistemas de controle em plantas industriais (como tanques em indústria de processos químicos, motores em indústria, linhas de produção e outros) envolviam equipamentos fixos e dedicados para o controle, localizados perto da planta. No entanto, a grande maioria desses equipamentos está passando por um processo de virtualização, tornando-se software. Na arquitetura moderna de computação de borda, esses equipamentos de controle podem se transformar em micro serviços na forma de aplicativos que rodam nos servidores de borda. Essa transição oferece uma vantagem crucial: a capacidade de compartilhamento. Se antes era necessário um equipamento físico para cada elemento da planta (por exemplo, um equipamento para cada um dos  tanques), agora o aplicativo na borda pode ser compartilhado por vários tanques. Isso leva a uma redução de custos e energia significativa. 

No entanto, a mudança para micro serviços compartilhados traz um novo desafio: a latência. Antes, a proximidade dos equipamentos de controle e dos dispositivos de IoT industrial garantia a baixa latência. Ao compartilhar o aplicativo na borda, pode-se introduzir problemas de atraso. Contudo, a pesquisa do professor Marcelo Fernandes, do INCT ICoNIoT, tem mostrado que, dependendo do sistema de controle, o compartilhamento é viável. Por exemplo, sistemas naturalmente lentos, como o controle de temperatura ou de nível, toleram a latência e podem ser compartilhados sem problemas. A linha de trabalho de Marcelo Fernandes, focada em computação de borda e IoT industrial, visa justamente usar técnicas de IA para escalonamento horizontal. O escalonamento horizontal refere-se ao uso de IA para aumentar ou diminuir o número dessas aplicações de controle automaticamente, garantindo que o sistema continue funcionando da forma adequada.

Hipótese Comprovada e Próximos Passos

Artigos advindos da pesquisa de Fernandes comprovam a hipótese de que existe uma situação em que é possível compartilhar esses sistemas de controle (emulando plantas industriais) e eles continuarem a funcionar bem. O próximo passo é crucial: usar machine learning para realizar o escalonamento horizontal especificamente no contexto de plantas para IoT industrial. Isso é necessário porque os parâmetros analisados para o escalonamento horizontal diferem em cada situação específica.

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O trabalho do professor Marcelo Fernandes abrange também a colaboração com a professora Debora Saade (UFF) na área da saúde, demonstrando o potencial de trocas e interseções promovido pelo INCT ICoNIoT.

Pesquisador Dr. Luiz Bittencourt apresenta webinar dia 2 de julho

O seminário será intitulado ‘The Computing Continuum: Beyond Cloud and Edge Intelligence’

Com a combinação da Internet das Coisas, da computação de ponta e da computação em nuvem, os serviços de computação podem ser distribuídos por um conjunto de recursos computacionais que abrangem todo o espectro, desde os dispositivos dos usuários até a infraestrutura computacional intermediária implantada entre eles. As tecnologias de rede em evolução proporcionam maior largura de banda e capacidade de transmissão de dados com menor latência, permitindo que os recursos computacionais distribuídos sejam tratados como uma plataforma interconectada, distribuída e heterogênea. Esse continuum de capacidade computacional pode ser utilizado para processar grandes quantidades de dados com tempos de resposta reduzidos. No entanto, criar uma infraestrutura de computação distribuída integrada e gerenciar seus recursos para otimizar aplicativos com requisitos altamente heterogêneos continua sendo um desafio, mesmo após décadas de pesquisa. O surgimento de técnicas de aprendizado de máquina distribuídas acrescenta ainda mais complexidade, mas também introduz mecanismos adicionais para lidar com esse problema. Nesta palestra, Dr. Luiz Bittencourt apresentará uma visão geral do problema da alocação de recursos, com foco em aspectos que podem ajudar a construir um Continuum de Computação Inteligente.

O palestrante

Luiz Bittencourt é professor associado da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no Brasil. Luiz recebeu o Prêmio Jovem Profissional da IEEE ComSoc América Latina em 2013. Ele atua na organização de diversas conferências nas áreas de computação em nuvem e computação de borda, além de participar de vários comitês de programa técnico. Atuou como editor associado da revista IEEE Cloud Computing Magazine e, atualmente, atua como editor associado das revistas “Computers and Electrical Engineering” e “Internet of Things”, do “Journal of Network and Systems Management” e da “IEEE Networking Letters”. Seus principais interesses são a gestão de recursos e o agendamento na computação em nuvem, de borda e em névoa, bem como sua sinergia rumo a um continuum de computação inteligente por meio de técnicas de aprendizado de máquina distribuído.

Webinar

Data: 2 de julho de 2026

Horário: 16h (Brasília)

Transmissão: youtube.com/@incticoniot

 

Workshop do ICoNIoT aconteceu no último dia 27 no SBRC 2026

O 44º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2026) foi realizado em Praia do Forte, na Bahia, entre os dias 25 e 29 de maio de 2026. No dia 27, tivemos o workshop do nosso INCT ICoNIoT.
 
A reunião, liderada por Eduardo Cerqueira (UFPA), contou com a participação do keynote speaker Torsten Braun, da Universidade de Berna, além dos pesquisadores do ICoNIoT Carlos Kamienski (UFABC), Flavia Delicato (UFF), Marcelo Fernandes (UFRN), Allan Souza (UNICAMP),  Everton Cavalcante (UFRN), Luiz Fernando Bittencourt (UNICAMP), Edmundo Madeira (UNICAMP), Rafael Lopes (UECE), Augusto Neto (UFRN) e Carlos Trujillo (UNICAMP). 
 
Na ocasião, foram apresentados os avanços nos projetos e abertos novos espaços para colaborações.
Foi um momento de grande sucesso para o nosso INCT. Confira o vídeo!

SBRC 2026 com muitos motivos de comemoração para o ICoNIoT

O 44º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2026) foi realizado em Praia do Forte, na Bahia, entre os
dias 25 e 29 de maio de 2026. Além de termos obtido grande sucesso com a realização do nosso workshop, estamos celebrado também várias conquistas de nossa equipe:

. O artigo *Agente VAMOS! Planejamento de Rotas Veiculares Cientes de
Contexto Semântico com Agentes de LLM* de autoria de Carnot Braun,
Daniel Ludovico Guidoni, Eduardo Coelho Cerqueira, Joahannes Bruno Dias
da Costa, Leandro Villas, Allan Mariano de Souza, recebeu Menção Honrosa
na Trilha Principal do SBRC 2026
.

. A tese de doutorado intitulada *”Técnicas de Gerenciamento de Sobrecarga
e Alocação de Recursos para Comunicação Massiva do Tipo Máquina em Redes de Acesso 3GPP”* de autoria de Tiago Pedroso (UNICAMP), e orientada pelo Prof. Nelson Fonseca (UNICAMP, e coordenador geral do ICoNIoT) recebeu menção honrosa no Concurso de Teses e Dissertações (CTD) do SBRC 2026.

. A dissertação de mestrado intitulada *”Detecção de Colisões e
Priorização no Acesso Aleatório mMTC Inteligentes em Redes Celulares
IoT”*, de autoria de Giancarlo Maldonado Cardenas, e orientada pelos
professores Nelson L.S. da Fonseca e Carlos A. Astudillo, foi agraciada
com menção honrosa no Concurso de Teses e Dissertações (CTD) do SBRC 2026.

. O artigo “Controle Seguro e Evasão de Colisões em Tráfego Denso de
Drones via Aprendizado por Reforço”, de Henrique J. Felisardo dos
Santos, Israel da Silva Barros, Luiz Fernando Bittencourt, Carlos
Kamienski e Fabíola M. C. de Oliveira, recebeu menção honrosa no Workshop de Computação Urbana (CoUrb).

. O artigo *”Self-Supervised Learning for Early Preamble Collision
Detection in Cellular IoT Networks”*, de autoria de Daniela M.
Casas-Velasco, Diogo Maciel Cunha, Marco Aurelio Guerra Pedroso,
Giancarlo Maldonado Cardenas, Carlos Alberto Astudillo Trujillo e Nelson
Fonseca, recebeu menção honrosa no I Workshop de Inteligência
Artificial para Redes de Computadores (WIARC) do SBRC 2026.

. O artigo “A Performance Comparison of Authentication and Authorization Patterns for Microservices Applications”, de Rafael Freitas Cardoso (UFRGS) e Jeferson Campos Nobre (UFRGS), recebeu menção honrosa no WGRS – XXXI Workshop de Gerência e Operação de Redes e Serviços do SBRC 2026.

Prof. Edmundo Madeira recebe o Prêmio Destaque SBRC

Confira como foi o momento da entrega!
O Prof. Edmundo Madeira recebeu o Prêmio Destaque SBRC – Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos, intitulado Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte, durante a Cerimônia de Abertura do @simposio.sbrc SBRC 2026, realizada na última terça 26 de maio na Praia do Forte, na Bahia. Saiba mais sobre a indicação do professor ao prêmio.
Confira o vídeo:

Conheça o projeto ‘Agente K-alibra: Estratégia para Seleção de K-Clientes em Aprendizado Federado autônoma’

O Agente K-alibra é um orquestrador baseado em Modelos de Linguagem (LM) projetado para ajustar dinamicamente o número de clientes () participantes em cada rodada de Aprendizado Federado (FL).Ele foi criado para superar a rigidez de algoritmos estáticos tradicionais, que geralmente utilizam um número fixo de clientes, o que pode resultar em ineficiência ou sobrecarga de rede.

O projeto foi desenvolvido a partir de uma parceria de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que fazem parte do ICoNIoT. São eles: Rafael O. Jarczewski (UNICAMP), Eduardo Cerqueira (UFPA), Antonio Loureiro (UFMG) , Leandro A. Villas (UNICAMP) e Allan de Souza (UNICAMP). Ele está publicado nos anais do SBRC 2026, e pode ser lido na íntegra aqui.

O Aprendizado Federado (FL) é uma maneira de treinar inteligência artificial de forma segura, já que os dados de cada pessoa ficam protegidos em seus próprios aparelhos, sem precisar serem enviados para uma central. O problema é que esse processo costuma gastar muita internet e fica difícil de gerenciar quando há muitos usuários.

Atualmente, para tentar resolver isso, os sistemas escolhem quais aparelhos vão participar do treino. Porém, esses sistemas são “teimosos”: eles costumam usar sempre a mesma quantidade de aparelhos, sem mudar esse número conforme a necessidade do momento. Isso faz com que o processo gaste recursos desnecessários ou demore para aprender.

Para acabar com essa rigidez, foi criado o K-Agent. Ele funciona como um “chefe” inteligente (usando modelos de linguagem, parecidos com o que há por trás de chats de IA) que decide dinamicamente quantos aparelhos devem participar em cada etapa.Ele trabalha em três passos:

  1. Percebe como está a situação atual do treino.
  2. Raciocina para encontrar a melhor estratégia.
  3. Age, definindo o número ideal de participantes.

Os testes mostraram que o K-Agent é muito eficiente: ele consegue economizar entre 44,4% e 59% do uso da internet em comparação com os métodos tradicionais, mantendo o aprendizado estável e de alta qualidade.

Além disso, ele consegue explicar o porquê de suas decisões, tornando o sistema mais transparente para os desenvolvedores.

Conheça o Agente VAMOS – Vehicular Agent for Multi-objective Optimization and Semantics

Fruto da colaboração de pesquisadores do ICoNIoT de quatro universidades brasileiras, o projeto é um dos indicados para o prêmio de Best Paper no SBRC 2026

O projeto Agente VAMOS! Planejamento de Rotas Veiculares Cientes de Contexto Semântico com Agentes de LLM é resultado da colaboração dos pesquisadores Carnot Braun (Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP), Daniel L. Guidoni (Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP), Eduardo Cerqueira (Universidade Federal do Pará – UFPA), Joahannes B. D. da Costa (Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP), Leandro Villas (UNICAMP) e Allan M. Souza (UNICAMP).

O agente desenvolvido pela equipe, intitulado VAMOS (Vehicular Agent for Multi-objective Optimization and Semantics), funciona como um sistema inteligente capaz de formular trajetos personalizados ao interpretar o contexto ambiental e as prioridades individuais de cada usuário. Ele vem superar sistemas de navegação tradicionais, que priorizam a eficiência métrica, como tempo e distância, mas falham na interpretação de intenções humanas mais complexas e dependentes de contexto. 

Diferente dos navegadores convencionais, esse agente utiliza um LLM – Large Language Model – para sugerir paradas estratégicas, como postos de gasolina ou mercados, baseando-se no aprendizado contínuo sobre o perfil do viajante. O diferencial da tecnologia reside na sua capacidade de processar informações complexas para otimizar rotas sem a necessidade de comandos geográficos excessivamente específicos. 

O projeto enfrenta o desafio técnico de equilibrar o processamento robusto em servidores externos com a viabilidade de rodar modelos menores diretamente em dispositivos móveis. 

Leia o trabalho dos pesquisadores publicado nos anais do SBRC 2026

 

Prof. Edmundo Roberto Mauro Madeira (UNICAMP) escolhido para receber o Prêmio Destaque SBRC em 2026

A entrega do Prêmio Destaque SBRC – Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte ocorrerá durante a Cerimônia de Abertura do SBRC 2026, a ser realizada no dia 26/05/2026 na Praia do Forte, na Bahia.

Reconhecimento

O nome do Prof. Edmundo foi escolhido por uma Comissão de Seleção composta pelas pessoas agraciadas com o mesmo prêmio nos últimos cinco anos, em reconhecimento a toda a sua trajetória e às contribuições à comunidade científica brasileira nas áreas de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos.

Sobre o prêmio

O prêmio Destaque SBRC foi criado em 2012, como parte das comemorações dos trinta anos do SBRC, e tem como objetivo homenagear pessoas da comunidade do SBRC que se distinguiram ao longo de suas vidas por suas contribuições científicas nas áreas de redes de computadores e sistemas distribuídos, por seus engajamentos em atividades do SBRC e/ou por serviços prestados em benefício da comunidade brasileira de redes e sistemas distribuídos.

Em 2022, o prêmio destaque passou a se chamar Prêmio Destaque SBRC Prof. Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte. Otto era graduado em Engenharia Eletrônica pela UFRJ e tinha mestrado em Engenharia Elétrica pela Coppe/UFRJ e doutorado em Teleinformática na Ecole Nationale Supérieure des Télécommunications (ENST), em Paris, França. Tornou-se Professor Titular da UFRJ em 2003. Ele era reconhecido como bolsista de produtividade nível 1A do CNPq e como Cientista do Nosso Estado do Rio de Janeiro. Orientou 17 teses de doutorado, 55 dissertações de mestrado e mais de 180 trabalhos de iniciação científica. Ele teve mais de 350 artigos publicados em revistas e congressos com revisão.

Trajetória do homenageado deste ano

O Prof. Edmundo é atualmente Professor Titular do Instituto de Computação da UNICAMP, universidade na qual concluiu seu Doutorado em Engenharia Elétrica em 1991. No INCT ICoNIoT, é coordenador da linha temática Redes Veiculares. Possui uma vasta produção científica nas áreas de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos, com mais de 6.000 citações, abrangendo temas críticos como gerência de redes, computação em nuvem e virtualização de redes. Sua reputação acadêmica foi reconhecida pelo Prêmio Zeferino Vaz de Reconhecimento Acadêmico da UNICAMP em 2004, e sua atuação inclui ainda a coordenação de projetos de pesquisa de relevância nacional e a articulação em diversas redes de pesquisa no País, a exemplo dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs).

O Prof. Edmundo possui atuação destacada na organização e estruturação do SBRC, o principal evento da área no Brasil, tendo contribuído diretamente para a qualidade técnica e científica do Simpósio ao longo de diversas edições. Na docência, contribui fortemente para a formação de recursos humanos de alto nível e na mentoria de jovens pesquisadores. Além da docência, atua ativamente na comunidade científica, sendo membro do Corpo Editorial do Journal of Network and Systems Management (JNSM), da Springer.