ASTRA: Adaptive Student-Teacher Method for Robust Aggregation and Client Drift Reduction in Federated Learning

Este trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores João Victor Feio Gonçalves (UFPA), John Sousa (UFPA), Rafael Veiga (UFPA), Lucas de Lima Bastos (UNIFESSPA), Lucas de Sousa Pacheco (UFPA), Iago Medeiros (UFPA), Denis Rosário (UFPA) e Eduardo Coelho Cerqueira (UFPA).

Eles desenvolveram o ASTRA, um novo método projetado para otimizar o Aprendizado Federado em cenários onde os dados entre os dispositivos são altamente diversificados e desconexos. O núcleo da inovação reside na Regularização em Espaço Duplo, que combina restrições físicas nos pesos do modelo com uma auto-destilação semântica para garantir que as previsões locais permaneçam alinhadas com o objetivo global. 

Para viabilizar o uso em dispositivos com recursos limitados, os autores implementam um Escalonamento Baseado em Currículo, ativando o modelo “instrutor” de forma intensa apenas no início e, posteriormente, de maneira periódica. O propósito do estudo é mitigar o desvio do cliente (client drift) e evitar a divergência catastrófica do sistema, alcançando uma precisão superior a métodos tradicionais com um aumento pequeno no custo computacional. 

Client drift/Desvio do cliente

○ Em redes de borda, os dados apresentam grande assimetria entre os diferentes dispositivos (dados não IID).

○ O impacto no treinamento local acontece porque os clientes otimizam exclusivamente com base em seus próprios dados privados e as atualizações locais dos pesos divergem significativamente do objetivo global.

○ As consequências para o FL são estas:

■ Divergência catastrófica: a média de gradientes conflitantes destrói o desempenho global do modelo

■ Falhas de convergência: métodos padrão (como o FedAvg) apresentam grave instabilidade.

○ O objetivo então é:

■ Manter as atualizações locais semanticamente alinhadas com o consenso global sem suprimir o aprendizado local,

Dessa forma, os autores demonstram que é possível conciliar estabilidade estrutural e flexibilidade lógica para criar modelos de inteligência artificial descentralizados mais robustos e eficientes.

Teacher-Student Distillation

O Teacher-Student Distillation (destilação professor-aluno), no contexto das fontes, é uma técnica de abordagem semântica que visa alinhar as saídas de um modelo (logits) em vez de apenas seus pesos. 

O conceito central baseia-se na transferência de “dark knowledge” (conhecimento obscuro) de um modelo “Professor” robusto para um modelo “Estudante” local. O Mecanismo de Funcionamento – a transferência ocorre através dos logits de saída (ativações pré-softmax) – procura minimizar a Divergência de Kullback-Leibler (KL) entre as distribuições de probabilidade do aluno e do professor.

A consistência semântica, que é reforçada nesse processo, é uma técnica que garante que as fronteiras de decisão do modelo local permaneçam alinhadas com o consenso global, permitindo que o modelo mantenha a lógica de classificação mesmo quando os pesos físicos mudam para se adaptar a dados locais.

Utiliza-se um parâmetro de temperatura para “suavizar” as distribuições de probabilidade; isso amplifica a importância das classes de baixa probabilidade, facilitando a transferência de relações entre classes (o “dark knowledge”) em vez de apenas rótulos rígidos.

O ASTRA utiliza uma variação chamada Self-Distillation (autodestilação), onde o modelo global congelado periodicamente atua como o Professor e o modelo local em treinamento é o Estudante.

Fase de mentoria

Depois da etapa inicial de estabilização do modelo, o método ASTRA entra em uma nova fase de treinamento: a Fase de Mentoria (Mentorship Phase). A proposta é que, em vez de manter a orientação do modelo global sobre os modelos locais durante todo o processo, o sistema passe a fazer intervenções periódicas, permitindo que os dispositivos trabalhem de forma mais autônoma.

No início do treinamento, na chamada Fase de Fundação, o modelo global — o “Professor” – orienta continuamente os modelos locais, os “Estudantes”. Na fase de Mentoria, essa relação muda. O Professor passa a acompanhar o aprendizado em intervalos determinados, funcionando como uma espécie de supervisor que intervém apenas quando necessário.

A cada ciclo de rodadas de treinamento, o Professor é ativado para realizar um check-in. Nesse momento, o modelo local recebe uma correção semântica que ajuda a manter suas previsões alinhadas ao objetivo global do sistema. Entre essas intervenções, porém, o Professor permanece inativo.

É nesse intervalo que entra o chamado Modo Autônomo. Sem a necessidade de executar as passagens à frente (forward passes) do modelo global para realizar a destilação, o modelo local pode se concentrar nos seus próprios dados e se especializar de acordo com as características daquele ambiente.

A estratégia tem também um impacto direto sobre o uso de recursos computacionais. Ao reduzir a frequência com que o modelo global precisa participar do treinamento, o ASTRA diminui o consumo de memória VRAM e o número de operações de ponto flutuante (FLOPs), um aspecto especialmente relevante para dispositivos de borda, que normalmente trabalham com recursos computacionais mais limitados.

A lógica pode ser comparada à relação entre um professor e seus alunos. Depois de apresentar os conceitos fundamentais, o professor não precisa acompanhar cada exercício realizado individualmente. Ele pode deixar os estudantes resolverem as questões sozinhos e, periodicamente, voltar para verificar o andamento, corrigir eventuais erros e oferecer novas orientações. No aprendizado federado, essa alternância busca equilibrar autonomia local e alinhamento global. O modelo local ganha espaço para aprender com seus próprios dados, enquanto as intervenções periódicas do modelo global ajudam a evitar que esse aprendizado se afaste excessivamente do objetivo comum, o já mencionado client drift.

Com essa abordagem, o ASTRA procura combinar a capacidade de adaptação aos dados locais com uma maior eficiência computacional, mantendo uma velocidade de treinamento próxima à do FedAvg, algoritmo de referência no aprendizado federado. A ideia central é transformar a relação entre os modelos global e local: menos supervisão contínua, mais autonomia — mas sem abrir mão de momentos estratégicos de orientação.

Desafio Computacional

Uma limitação crítica da destilação padrão é o custo computacional, pois exige uma passagem à frente (forward pass) do professor em cada etapa de treinamento. O ASTRA resolve isso ativando o sinal do professor apenas periodicamente, de acordo com um cronograma de currículo, para proteger os recursos de dispositivos de borda (edge devices). De tempos em tempos acontece a correção do modelo global. Não é possível ter o processo de mentoria ativa todo o tempo; mas a proposta é ter uma solução eficiente em que o modelo global não precise estar sempre instruindo; as coisas acontecem de forma autônoma e ele corrige o que for necessário de forma pontuada.

 

PRINCE: A Proactive Client Selection in Federated Learning for Connected and Autonomous Vehicles

Projeto desenvolvido por Amanda Lopes (UFPA), John Sousa (UFPA), Lucas de Lima Bastos (UNIFESSPA), Lucas de Sousa Pacheco (UFPA), Iago Medeiros (UFPA), Denis Rosário (UFPA) e Eduardo Coelho Cerqueira (UFPA) foi apresentado no SBRC 2026.

Cada vez mais, os veículos são capazes de coletar grandes quantidades de dados por meio de sensores e dispositivos de IoT. No contexto da autonomia veicular, uma das propostas é equipar os carros com múltiplos sensores e capacidade computacional suficiente para processar essas informações e estimar, em tempo real, a melhor maneira de se deslocar.

Com esse processamento, o próprio veículo pode tomar decisões, como frear, acelerar ou alterar sua trajetória. No entanto, o potencial é ainda maior quando diferentes veículos podem participar de uma mesma rede e compartilhar informações. A partir dos dados e das previsões produzidas por esses veículos é possível, por exemplo, identificar as melhores rotas e antecipar situações no trânsito.

É nesse contexto que surgem os veículos autônomos conectados: uma tentativa de ampliar as capacidades dos sistemas veiculares para resolver problemas que o hardware disponível em um único veículo não consegue solucionar sozinho. A ideia é aproveitar o conhecimento produzido pela academia e criar soluções que possam, futuramente, ser implementadas pela indústria.

Um dos desafios é fazer com que o veículo consiga “ler” o contexto ao seu redor e utilizar essas informações para tomar decisões mais adequadas. É nesse cenário que se insere a PRINCE, uma arquitetura de aprendizado federado (AF) voltada para redes veiculares autônomas.

A proposta busca selecionar, entre os veículos disponíveis, aqueles mais adequados para participar de um processo de aprendizado federado. Em vez de considerar todos os veículos da rede indistintamente, o sistema avalia diferentes características para determinar quais deles podem contribuir de maneira mais relevante para o aprendizado.

A seleção proativa de clientes, exemplificada pela PRINCE, apresenta vantagens significativas em relação aos métodos reativos tradicionais em ambientes de Veículos Conectados e Autônomos (CAVs), especialmente em termos de eficiência de recursos, velocidade de convergência e estabilidade do modelo. Enquanto as abordagens reativas selecionam os veículos e lidam com eventuais falhas somente depois que elas ocorrem, a estratégia proativa busca antecipar possíveis problemas e selecionar, desde o início, os clientes com maior probabilidade de concluir o treinamento.

Um dos principais benefícios está na eficiência no uso dos recursos. Nos métodos reativos, largura de banda e capacidade de processamento podem ser desperdiçadas quando veículos selecionados abandonam ou falham durante uma rodada de treinamento. A abordagem proativa procura filtrar previamente os nós instáveis, alcançando, segundo os resultados apresentados, uma melhoria de até 3,5 vezes na eficiência dos recursos. Essa antecipação também contribui para uma redução significativa das falhas de conexão, que pode chegar a 2,2 a 2,5 vezes em comparação com abordagens reativas, graças ao uso de modelos estocásticos para prever instabilidades e à pré-filtragem baseada em sinais como o RSSI.

Os ganhos também aparecem no desempenho do modelo. O PRINCE alcançou 83,90% de acurácia final, superando modelos reativos de estado da arte em até 9,22%. Além disso, a seleção proativa acelera a convergência: em um dos cenários avaliados, o sistema atingiu 60% de acurácia três vezes mais rápido do que métodos de seleção aleatória, apresentando também desempenho superior a abordagens reativas como ACSP-FL e ECS-HDSR.

Outro diferencial está na redução da latência e dos custos computacionais. Em estratégias reativas, como o ECS-HDSR, quando um cliente falha, o sistema precisa procurar um substituto e reiniciar ou reorganizar parte do processo, o que acrescenta etapas, tempo e processamento. A abordagem proativa procura evitar essa situação ao formar antecipadamente um conjunto de clientes com alta probabilidade de permanecer conectado e concluir o treinamento.

Essa antecipação também favorece a estabilidade do treinamento. Enquanto métodos reativos podem apresentar oscilações na acurácia e picos na função de perda (loss) em razão da agregação de modelos provenientes de clientes que falharam, a seleção proativa tende a produzir uma trajetória de aprendizado mais estável e consistente.

Em síntese, a diferença fundamental está na forma como cada estratégia lida com a incerteza. A seleção reativa espera o problema acontecer para então tentar corrigi-lo; a seleção proativa utiliza o histórico de comportamento dos veículos, as condições da rede e as previsões de mobilidade para antecipar possíveis falhas e evitá-las. Em um ambiente dinâmico como o dos veículos conectados e autônomos, essa capacidade de previsão pode tornar cada rodada de comunicação mais eficiente, reduzir desperdícios e contribuir para modelos globais que convergem mais rapidamente e de maneira mais estável.

Aspectos considerados na seleção ativa de veículos 

O primeiro aspecto considerado é a localização e a conectividade dos veículos, que são definidos pelo Indicador de Força do Sinal Recebido (RSSI). São avaliados carros que estejam mais próximos ou mais distantes e que tenham, ou não, cobertura de internet. Aqueles veículos que possuírem valores fracos de RSSI (i.e., valores abaixo de -85 dbM) são excluídos da futura seleção, pois eles não apresentam uma conectividade boa naquela área para participarem ativamente da seleção de clientes do aprendizado federado. Os veículos com bons valores de RSSI (i.e., valores acima de -85 dbM) são selecionados para a próxima etapa.

Para estimar a possibilidade de um veículo permanecer conectado durante o processo, na segunda etapa a arquitetura utiliza o conceito de Cadeia de Markov, um processo estocástico no qual o sistema pode se encontrar em determinado estado e permanecer nele ou mudar para outro. A partir desse modelo, é calculada a probabilidade de um determinado veículo continuar conectado à rede.

Essa informação é importante porque, em um processo de aprendizado federado, não basta que um veículo tenha dados relevantes: é necessário que ele consiga permanecer conectado pelo tempo necessário para participar do treinamento.

A importância da heterogeneidade dos dados

O terceiro e último critério utilizado pelo PRINCE é a diversidade dos dados disponíveis em cada veículo. Para isso, a arquitetura considera a Entropia de Shannon, uma medida relacionada à variabilidade e à diversidade das informações.

A lógica é que veículos com dados mais heterogêneos podem oferecer uma contribuição mais relevante ao processo de aprendizado, já que permitem ao modelo entrar em contato com diferentes situações e padrões.

Assim, o sistema procura priorizar veículos que apresentem maior índice de entropia, ou seja, maior diversidade em seus dados. A arquitetura combina, portanto, diferentes critérios para selecionar os veículos mais adequados para participar do aprendizado federado. De forma geral, são consideradas três dimensões: proximidade: priorizar veículos que estejam próximos da região ou situação de interesse; conectividade: selecionar veículos com maior probabilidade de permanecer conectados durante o processo; heterogeneidade dos dados: priorizar veículos cujos dados apresentem maior diversidade.

O objetivo é encontrar um conjunto de veículos que não apenas esteja relacionado ao problema que se deseja analisar, mas que também tenha condições de contribuir efetivamente para o treinamento do modelo.

Possíveis aplicações

Uma aplicação possível seria o uso do PRINCE por uma empresa que precise transmitir informações específicas para determinados veículos em uma determinada região.

Imagine, por exemplo, que esteja ocorrendo um problema em uma determinada rota. A empresa poderia utilizar a arquitetura para identificar os veículos que estão naquela área ou que estão se dirigindo para ela e compartilhar informações relevantes com esses usuários.

Da mesma forma, um motorista que estivesse se deslocando para determinada cidade poderia receber informações específicas relacionadas às condições daquela região, permitindo que o sistema utilizasse o conhecimento produzido pelos veículos conectados para apoiar decisões mais adequadas.

Leia o artigo completo nos anais do SBRC 2026 https://sol.sbc.org.br/index.php/sbrc/article/view/42357/42124 

 

Pesquisador Burak Kantarci apresenta webinar dia 17 de setembro

A apresentação será intitulada Beyond Bits: Semantic Intelligence for Connected and Autonomous Vehicles

Resumo da apresentação:

The rapid growth of connected and autonomous vehicles is straining traditional data transmission models, which move raw sensor data with little regard for what actually matters to a downstream decision. This talk explores a shift beyond bit-level transmission toward semantic intelligence: extracting and conveying task-relevant meaning rather than raw data, cutting bandwidth needs while preserving the information that matters for safety and control. We look at how multimodal large language models can fuse heterogeneous sensor streams, cameras, LiDAR, radar, and telemetry, to support context-aware inference and real-time situational awareness under the tight latency and reliability constraints of vehicular environments. The talk closes with open challenges in edge deployment and a look toward 6G-enabled intelligent transportation systems.
O palestrante

Burak Kantarci é professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação da Universidade de Ottawa, onde ocupa a Cátedra Universitária de Pesquisa em Redes Seguras Baseadas em IA para Infraestruturas Críticas Inteligentes. É diretor fundador do Centro de Inovação em Veículos Conectados Inteligentes (SCVIC) e lidera o Laboratório de Pesquisa NEXTCON. Sua pesquisa se concentra em redes nativas de IA, inteligência de borda, inteligência artificial confiável, segurança cibernética, resiliência de rede, gêmeos digitais e sistemas de comunicação inteligentes para infraestruturas críticas. É autor ou coautor de mais de 300 publicações revisadas por pares, detém várias patentes e liderou inúmeras iniciativas de pesquisa colaborativa com parceiros da indústria e do governo. O Dr. Kantarci atua como Palestrante Distinto da Sociedade de Comunicações do IEEE e do Conselho de Sistemas do IEEE. É editor associado de várias revistas importantes do IEEE, incluindo a *IEEE Transactions on Network and Service Management*, a *IEEE Communications Surveys & Tutorials* e a *IEEE Networking Letters*.

Anteriormente, ele também atuou como editor associado da revista “IEEE Internet of Things Journal” e da publicação “IEEE Transactions on Industrial Informatics”. Recebeu o Prêmio de Realização Técnica do Comitê Técnico de Software de Comunicações da IEEE ComSoc (2023), a Medalha J. M. Ham de Educador de Engenharia de Destaque da IEEE Canadá (2026), do Prêmio de Excelência em Inovação e Empreendedorismo do Ministro de Ontário (2021), do Prêmio George S. Glinski de Excelência em Pesquisa, da Medalha da Coroação do Rei Carlos III (2025) e de vários prêmios de Melhor Artigo do IEEE. O Dr. Kantarci é apaixonado pelo avanço de sistemas de comunicação nativos de IA confiáveis que unem a pesquisa fundamental ao impacto no mundo real por meio de uma estreita colaboração com a academia, a indústria e o governo. Ele é Fellow do IET e membro sênior do IEEE e da ACM.

 

Da Sinapse à Borda com MI-X: Escoltando o Usuário no Edge-Cloud-Continuum

O trabalho, de autoria de Rodrigo Almeida Bezerra (UFBA), Luiz Fernando Bittencourt (UNICAMP), Leandro Villas (UNICAMP) e Maycon Peixoto (UFBA), está contextualizado na união das áreas de IoT e Interfaces Cérebro–Computador (BCI).

A pesquisa simula a execução de BCI, sendo que a BCI, neste caso específico, envolve um jogo que se conecta pela eletroencefalografia. Trata-se de um dispositivo que, colocado na cabeça, captura sinais cerebrais construindo o caminho do cérebro do usuário ao jogo.

Nesse caminho, possíveis atrasos prejudicam a experiência do usuário. A edge computing entra em cena, então, para possibilitar que o usuário tenha uma experiência rápida, com baixa latência. Esse processamento precisa, para isso, ser produzido na borda; por isso o deslocamento da nuvem para a borda para algumas aplicações em específico como essa é importante.

No caso deste trabalho, há uma dimensão extra que é a mobilidade do usuário. Ele está se movendo de um lado para o outro e os módulos da aplicação precisam ser movidos junto com o usuário. A mobilidade do usuário, portanto, complexifica as interações entre os elementos do sistema; a borda pode ser, por exemplo, um dispositivo na casa dele, e quando ele se desloca para longe a latência aumenta. 

É nesse contexto que entra a solução do algoritmo MX, para acompanhar o usuário.

O que é o algoritmo MI-X e qual seu objetivo principal? 

Esse algoritmo, que os pesquisadores desenvolveram, é uma estratégia de migração das aplicações do jogo, que passam pela fog e vão para a nuvem.

O Mobility Impact-X (MI-X) é um algoritmo de alocação dinâmica e uma estratégia de alocação modular sensível à mobilidade desenvolvida para operar em arquiteturas de Computação em Névoa Hierárquica. Ele foi especificamente projetado para gerenciar aplicações de Interfaces Cérebro–Computador (BCI) modulares e sensíveis à latência, como jogos baseados em eletroencefalograma (EEG Games), dentro do continuum nuvem-névoa-borda.

O seu objetivo principal é minimizar a latência e os tempos de resposta das aplicações, otimizando simultaneamente a utilização dos recursos computacionais. Para isso, o MI-X busca equilibrar de forma dinâmica os seguintes fatores:

  • Proximidade computacional ao usuário: Priorizando a execução na borda (cloudlets) para reduzir o atraso percebido.
  • Custo de comunicação: Avaliando o impacto gerado pela distribuição ou migração de módulos interdependentes na rede.
  • Estabilidade operacional: Evitando migrações abruptas e saltos hierárquicos longos que possam causar instabilidade no sistema.

O diferencial do MI-X é a sua capacidade de integrar a estrutura modular da aplicação à gestão de mobilidade. Isso permite que o algoritmo mantenha componentes que dependem uns dos outros fisicamente próximos na infraestrutura, impedindo que o custo de rede anule os ganhos de processamento individual e garantindo a consistência do desempenho mesmo sob mobilidade contínua dos usuários.

Desafios

As aplicações em edge estão perto do usuário, mas contam com recursos reduzidos; já as aplicações em cloud têm mais recursos mas estão mais longe do usuário e, com isso, acarretam em um tempo de resposta maior.

Nas situações de mobilidade urbana, recursos da borda podem ficar saturados. A solução desenvolvida analisa o impacto de cada solução: faz uma busca e tenta equilibrar latência, capacidade computacional, custo da comunicação etc.

Uma curiosidade sobre o desenvolvimento dessa solução é que a história desse algoritmo passou por outros, construídos em 2019, 2020, 2023, que foram evoluindo; o MI-X é o primeiro da série que trouxe a possibilidade de redução da latência.

Os pesquisadores reforça que não basta colocar tudo na borda, é preciso fazer o processamento acompanhar o usuário de maneira inteligente, seguindo a movimentação dele. 

O trabalho continua em desenvolvimento, na forma da pesquisa do aluno de mestrado Rodrigo Bezerra (UFBA) – agora com uma nova estratégia chamada HERMES (Heuristic Resource Management for Edge Systems). A proposta avança em relação ao MI-X ao considerar não apenas onde os módulos da aplicação devem ser executados durante a mobilidade do usuário, mas também quando uma migração realmente vale a pena. O HERMES analisa o impacto de cada possível realocação, considerando latência, disponibilidade de recursos e o custo de transferência dos módulos, evitando migrações desnecessárias e o chamado efeito de “vai e volta” entre borda, névoa e nuvem. Assim, a pesquisa evolui da ideia de simplesmente acompanhar o usuário para a de orquestrar de forma inteligente e estável todo o caminho entre a borda, a névoa e a nuvem.

Leia o artigo pubicado nos anais do SBRC 2026

Modelos estocásticos na pesquisa em computação na borda

O pesquisador Luiz Fernando Bittencourt(ICoNIoT e UNICAMP) explica, neste vídeo, a função dos modelos estocásticos para a pesquisa em computação na borda. Esses modelos usam a probabilidade para prever sistemas que variam com o tempo de maneira irregular ou aleatória. No caso da pesquisa em redes de computadores, eles refletem as variações no comportamento de uma aplicação ou sistema, permitindo realizar simulações que oportunizam uma visão melhor dos cenários de variação do desempenho da banda larga no decorrer do tempo, por exemplo.

Detecção de objetos em cenários de escassez de rótulos usando pseudo-rótulos gerados pelo SAM3

O trabalho, de autoria dos pesquisadores do ICoNIoT João V. D. Sobrinho (UFRJ) e Miguel E. M. Campista (UFRJ), foi apresentado no XVIII Simpósio Brasileiro de Computação Ubíqua e Pervasiva no CSBC 2026

Esta pesquisa surgiu a partir de um projeto relacionado à indústria automotiva, e investiga um problema importante para aplicações de Inteligência Artificial: como treinar modelos de visão computacional quando há poucos dados rotulados disponíveis?

No aprendizado supervisionado, a máquina precisa de exemplos acompanhados de rótulos — algo semelhante a um gabarito. O modelo recebe uma imagem, produz uma resposta, compara essa resposta com o rótulo correto e, a partir do erro, ajusta seu comportamento. Quanto melhores e mais numerosos forem os exemplos utilizados no treinamento, maior tende a ser a capacidade do modelo de realizar a tarefa.

No projeto que deu origem ao trabalho, o objetivo é utilizar aprendizado federado no contexto automotivo, especialmente por questões relacionadas à privacidade dos dados. Uma das aplicações consideradas é a identificação de VRUs (Vulnerable Road Users, ou usuários vulneráveis da via) — como pedestres, ciclistas e skatistas — para que um sistema possa reconhecê-los e emitir alertas aos motoristas.

Para que esse sistema funcione, entretanto, o modelo precisa aprender a identificar esses usuários nas imagens. Há, nesse contexto, uma questão fundamental: quem vai dizer à máquina o que existe em cada imagem?

Imagine que sejam coletadas milhares de imagens de ruas e estradas. Para utilizá-las no treinamento, seria necessário que alguém identificasse e marcasse, uma a uma, a presença de pedestres, ciclistas e outros elementos. Esse processo de rotulagem é trabalhoso, caro e pouco escalável. Além disso, em um cenário real, não seria razoável esperar que o próprio cliente ou usuário final tivesse que realizar esse trabalho.

Uma alternativa é utilizar um modelo previamente treinado para produzir automaticamente esses rótulos. O problema é que esse modelo também pode cometer muitos erros. Se os rótulos gerados forem incorretos, esses erros acabam sendo incorporados ao treinamento e podem comprometer o desempenho do modelo final.

É nesse ponto que entra o SAM3, utilizado no trabalho para gerar pseudo-rótulos. Em vez de depender exclusivamente de uma pessoa para identificar manualmente os objetos nas imagens, utiliza-se o modelo para produzir automaticamente esses rótulos. A proposta é avaliar se esses pseudo-rótulos podem melhorar a qualidade dos dados disponíveis e, consequentemente, o desempenho do sistema de detecção de objetos em um cenário de escassez de rótulos.

O termo pseudo-rótulo vem justamente do fato de que o rótulo não foi produzido diretamente por um ser humano, mas pelo próprio modelo de Inteligência Artificial.

Há, porém, uma questão importante relacionada à privacidade. O SAM3 é um modelo da Meta e, quando imagens são enviadas para uma solução externa, surge a preocupação sobre o que acontece com esses dados. No trabalho, o SAM3 é executado localmente, reduzindo riscos relacionados à privacidade ao não envolver o envio dessas imagens a um serviço externo .

Da pesquisa ao mundo real

Um dos pontos levantados por Miguel Elias M. Campista é que a questão da rotulagem em aprendizado federado ainda é pouco explorada sob uma perspectiva prática. Existe uma quantidade significativa de pesquisa sobre os modelos e métodos, mas outra pergunta permanece em aberto: como transformar essas soluções em sistemas que possam efetivamente funcionar no mundo real?

Quando uma tecnologia sai do ambiente controlado da pesquisa acadêmica e passa a ser incorporada a um produto ou serviço, surgem diversos desafios que nem sempre aparecem nos experimentos científicos, ou que se intensificam ainda mais, como privacidade, qualidade dos dados, custos de implementação, infraestrutura, escalabilidade e interação com usuários reais.

Assim, o trabalho não trata apenas de encontrar uma maneira de melhorar a detecção de objetos. Ele também se insere em uma questão maior: que é a de como fazer a ponte entre o conhecimento produzido na academia e sua implementação em aplicações reais.

Leia o artigo completo nos anais do CSBC https://sol.sbc.org.br/index.php/sbcup/article/view/43295

Pesquisador Dener Ottolini apresenta webinar no dia 20 de agosto

A apresentação será intitulada “Inteligência no Contínuo IoT: Integração, Adaptação e Processamento Distribuído”

Resumo da apresentação: A crescente incorporação de inteligência artificial aos sistemas IoT amplia os desafios de integração, processamento e tomada de decisão em ambientes distribuídos. Nesse contexto, o contínuo computacional permite distribuir dados e serviços entre dispositivos, borda, névoa e nuvem de acordo com os recursos disponíveis e os requisitos de cada aplicação. A partir de pesquisas desenvolvidas no domínio da agricultura inteligente, são abordadas arquiteturas para integração de plataformas heterogêneas, adaptação dinâmica, posicionamento de serviços e processamento inteligente de dados. Os resultados evidenciam os compromissos envolvidos na escolha do local de execução e a importância de considerar conectividade, latência, capacidade computacional e resiliência. Essa perspectiva contribui para a construção de sistemas IoT mais autônomos, adaptativos e preparados para incorporar inteligência artificial.

O palestrante

Dener Edson Ottolini Guedes da Silva é doutor em Engenharia da Informação e mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal do ABC (UFABC), além de tecnólogo em Informática para Gestão de Negócios. Atualmente, realiza pós-doutorado no Centro Universitário FEI, investigando o desenvolvimento e a implantação de aplicações inteligentes no contínuo computacional. Suas pesquisas abrangem Internet das Coisas, sistemas distribuídos, computação de borda, névoa e nuvem, redes programáveis com P4, inteligência artificial e agricultura inteligente.

 

Conheça a pesquisa FLeer2FLeer: uma Ferramenta Web Baseada em Arquitetura Par-a-Par para Orquestração do Aprendizado Federado

O projeto, conduzido pelos pesquisadores João e Silva Costa (GTA-PEE/COPPE-DEL/Poli, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Guilherme A. Thomaz, Ronaldo A. Ferreira e Miguel Elias M. Campista (Facom, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS), foi apresentado no Salão de Ferramentas do SBRC 2026

O FLeer2FLeer (F2F) é uma ferramenta web para orquestração de aprendizado federado baseada em uma arquitetura P2P. O F2F introduz um indexador responsável pela descoberta, anúncio e ingresso de clientes nas múltiplas federações, sem interferir no processo de treinamento.

A ferramenta fornece uma infraestrutura de orquestração descentralizada para o Aprendizado Federado (FL), permitindo treinar modelos de inteligência artificial sem comprometer a privacidade dos usuários que detêm os dados.

O projeto, conduzido pelos pesquisadores João Silva e Costa (GTA-PEE/COPPE-DEL/Poli, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Guilherme A. Thomaz, Ronaldo A. Ferreira e Miguel Elias M. Campista (Facom, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS), foi apresentado no Salão de Ferramentas do SBRC 2026 e está disponível nos anais do simpósio.

Aprendizado federado

O trabalho está relacionado ao aprendizado federado (Federated Learning), uma abordagem desenvolvida inicialmente pela Google para solucionar um problema central no treinamento de modelos de inteligência artificial: a necessidade de coletar grandes volumes de dados dos usuários, o que gerava preocupações com privacidade.

Em vez de centralizar os dados dos usuários em um único servidor para treinar os modelos, a proposta do aprendizado federado inverte essa lógica. O modelo é enviado aos dispositivos ou organizações que possuem os dados, onde o treinamento é realizado localmente. Posteriormente, apenas as atualizações dos modelos treinados são enviadas de volta ao servidor central, que combina (“faz o merge”) essas contribuições para produzir um modelo global cada vez mais preciso e convergente. Esse processo depende da participação de múltiplos clientes treinando o modelo em paralelo.

O procedimento é repetido até que o modelo convirja ou algum critério de parada seja alcançado. Essa abordagem de treinamento distribuído, por preservar a privacidade dos usuários, é bastante adequada para situações em que o treinamento exige informações sensíveis dos usuários, como dados provenientes de sistemas de Internet das Coisas (IoT), dados médicos ou produzidos por dispositivos móveis.

Peer-to-Peer

Grande parte dos trabalhos existentes na literatura assume que esses processos de treinamento já estão em andamento. No entanto, pouco se discute sobre uma questão prática: como um novo participante ingressa em um processo de treinamento federado? Como uma empresa ou um usuário que possui dados pode encontrar um treinamento compatível e começar a contribuir?

É justamente essa lacuna que o artigo procura abordar. A proposta permite que um cliente — seja uma empresa ou um usuário final, detentor dos dados — localize modelos de aprendizado federado compatíveis com seus interesses e participe dos respectivos processos de treinamento. Para isso, o sistema disponibiliza um servidor que atua como ponto de entrada para esses treinamentos.

Ao participar com seus próprios dados, o cliente contribui para o aperfeiçoamento do modelo e, ao mesmo tempo, obtém um sistema mais adaptado às suas necessidades específicas. Além disso, modelos já existentes podem continuar sendo refinados continuamente à medida que novos dados são incorporados ao processo de treinamento.

Proposta

O trabalho dos pesquisadores propõe o desenvolvimento de uma ferramenta web inspirada na arquitetura P2P, chamada de FLeer2FLeer (F2F), para treinamento de modelos federados. O F2F propõe um servidor operando como indexador para descoberta e gerenciamento de federações. Diferente das abordagens focadas em mudanças complexas no algoritmo, a ferramenta prioriza a experiência do usuário e a governança de múltiplos treinamentos de modelos simultâneos.

FLeer2FLeer é uma ferramenta inovadora que une aprendizado federado e arquitetura par a par para otimizar o treinamento de modelos de inteligência artificial. Diferente dos métodos tradicionais que centralizam informações privadas, essa solução permite que os dados permaneçam com os usuários, promovendo maior privacidade e segurança durante o processamento.

O sistema facilita a colaboração entre empresas e indivíduos, possibilitando que interessados localizem e contribuam com treinamentos específicos de forma distribuída. Ao descentralizar o esforço computacional, a plataforma ajuda a reduzir custos operacionais e torna os modelos mais precisos e personalizados para as necessidades reais dos participantes. O foco central é superar os desafios de implementação prática, conectando detentores de dados a processos de orquestração de modelos globais de maneira eficiente.

Embora o sistema não seja um serviço público aberto, ele pode ser implantado dentro de empresas, permitindo que diferentes organizações realizem treinamentos colaborativos sobre dados distribuídos, sem necessidade de centralizá-los.

Essa abordagem também possibilita a distribuição do custo computacional entre os participantes, já que o processamento é realizado de forma descentralizada. O principal desafio agora é transformar essa solução em uma tecnologia aplicável em cenários reais, ampliando sua adoção fora do ambiente de pesquisa.

 

 

Representação baseada em grafos de infraestrutura como código: possibilitando o raciocínio semântico para sistemas conteinerizados

O trabalho dos pesquisadores Guilherme M. Soares, Lucas S. Vrielink, Juliano A. Wickboldt, Jéferson C. Nobre e Lisandro Z. Granville, do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), propõe uma maneira de transformar arquivos de configuração de computadores (como o Docker Compose) em um “mapa inteligente” que uma Inteligência Artificial (IA) consegue entender, permitindo que sejam tiradas dúvidas sobre sua infraestrutura apenas conversando. 

O trabalho, apresentado no SBRC 2026, surge num contexto em que contêineres (pequenos sistemas isolados para rodar seus sites e apps) são amplamente utilizados por cerca de 90% das empresas (Nutanix 2025), e há uma complexidade crescente em arquiteturas de microsserviços.

Ferramentas de orquestração como Kubernetes sendo mais utilizadas para gerenciar esta expansão e o aumento da complexidade, levando ao paradigma de Infrastructure as Code (IAC). E ferramentas geralmente utilizadas na automação (linters, CLI) focam apenas nos contêineres que estão sendo executados e nas sintaxes dos arquivos de definição.

Sendo assim, falta uma visão unificada da infraestrutura que forneça uma compreensão de como os componentes interagem, e as soluções existentes não fornecem mecanismos facilitadores como consultas com linguagem natural para auditar dependências transitivas ou riscos de segurança em arquiteturas complexas.

Isso significa que, atualmente, empresas usam centenas de contêineres (pequenos sistemas isolados) e as instruções para esses sistemas ficam em arquivos de texto, que são os chamados docker compose. Mas as ferramentas tradicionais só checam se o texto está escrito corretamente (isto é, sintaxe). Elas não conseguem “enxergar” o quadro geral, como por exemplo: “Se este banco de dados falhar, quais outros 10 serviços vão parar?”.

O sistema proposto pelos pesquisadores transforma arquivos técnicos e frios em um conhecimento ativo que a IA usa para ajudar o administrador do sistema a evitar erros graves e ataques de segurança de forma muito mais rápida e simples. O framework proposto faz um mapa inteligente, ou um grafo de conhecimento, a partir desses arquivos. É como um mapa mental onde cada serviço, rede ou volume é um ponto conectado a outro. O que organiza esse mapa é uma ontologia  – ou seja, um conjunto de regras que definem como cada peça pode se conectar a outras (por exemplo: um serviço usa uma imagem, um serviço se conecta a uma rede).

Inovação: uso do Model Context Protocol (MCP) para ligar esse mapa à IA (como o ChatGPT ou Claude)

A grande inovação do projeto é usar o Model Context Protocol (MCP) para ligar esse grafo à IA generativa (como o ChatGPT ou o Claude). Normalmente, a IA inventa respostas, se não souber algo. Com esse sistema, a IA é obrigada a consultar o “mapa inteligente” antes de responder.

Graças ao uso de linguagem natural, não é preciso ser um expert em código. Pode-se perguntar: “Existe algum risco de segurança na minha rede?”, e o sistema analisa todas as conexões para oferecer a resposta.

Os pesquisadores testaram o sistema em situações reais e ele encontrou problemas que ferramentas comuns ignoram, como por exemplo o Efeito Dominó: foi identificado que uma queda de um banco de dados derrubaria um serviço que nem estava conectado a ele diretamente, mas que dependia de outros serviços no meio do caminho.

Outro problema detectado foi a invasão de rede um “caminho escondido” que um hacker poderia usar para pular de uma rede pública para uma rede privada segura (movimentação lateral).

Além disso, foram identificados Conflitos de “Porta”, que acontecem quando dois serviços tentam usar a mesma “entrada” do computador ao mesmo tempo, o que causa um erro na hora de rodar.

O artigo completo dos pesquisadores está disponível neste link 

Projeto Bike SP está em seu segundo piloto e recebe inscrições até 24 de agosto

O Projeto Bike SP, que tem como um dos coordenadores o pesquisador Fabio Kon (IME-USP e ICoNIoT), rodará em setembro/outubro de 2026 o seu segundo piloto. O projeto oferece créditos no Bilhete Único para cidadãos que usarem a bicicleta em seus deslocamentos diários.
Pesquisadores do IME-USP e do FGV Cidades lideram uma iniciativa para avaliar o impacto do programa Bike SP no comportamento da mobilidade urbana. O estudo, apoiado por FAPESP, CNPq e Tembici, visa subsidiar políticas públicas baseadas em evidências, em um momento em que a prefeitura estuda a regulamentação do programa.
Até 24 de agosto, qualquer pessoa maior de idade, moradora da cidade de São Paulo, que possua celular Android, um Bilhete Único ativo e consiga pedalar, pode se inscrever no piloto. A inscrição é feita pelo link ime.usp.br/bikesp, após a conclusão de um minicurso gratuito e obrigatório sobre segurança no trânsito.
Os aprovados para participar do piloto serão informados por email. Atualmente, o projeto está particularmente interessado em atrair pessoas que não usam a bicicleta diariamente para seus deslocamentos. Moradores da Zona Leste, Sul e Norte também são prioritários.

A partir de julho, os participantes selecionados deverão baixar o aplicativo Bike SP (disponível apenas para celulares Android) e cadastrar endereços que usam mais frequentemente como origem ou destino de suas viagens. Em setembro, o experimento começa para valer: até duas viagens de bicicleta por dia poderão gerar créditos no Bilhete Único, diretamente no seu cartão e validados nas máquinas de recarga física já disponíveis em terminais e estações de transporte público.

“A Secretaria Municipal de Transportes nos procurou para embasar cientificamente a regulamentação do Bike SP. Nossa intenção ao transformá-lo em um projeto-piloto nas ruas foi utilizar o método científico para compreender como o programa e o software associado funcionariam em um ambiente real. Iremos extrair as respostas necessárias a partir da análise do comportamento dos ciclistas”, explica Fabio Kon. Ele coordena a pesquisa ao lado do Ciro Biderman, diretor e pesquisador do FGV Cidades.

Inovação

O programa Bike SP foi criado pela Lei Municipal 16.547/2016, que estabeleceu a possibilidade de remunerar ciclistas como forma de estimular a mobilidade ativa e reduzir o uso de transporte motorizado. A política, no entanto, nunca foi regulamentada nem implementada de fato e, até agora, não havia sido testada em larga escala.

A cidade de São Paulo vem ampliando sua malha cicloviária e já conta com a maior rede dedicada aos ciclistas do Brasil, com mais de 770 km. A meta da Capital é quintuplicar o número de ciclistas nas ruas até 2030, conforme previsto no Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 2020-2050. A ideia do piloto é ajudar a cidade a chegar lá. A pesquisa é financiada pela FAPESP, CNPq e Tembici, e está associada ao EcoSustain, ao INCT ICoNIoT e ao FGV Cidades, Centro de Inovação em Políticas Públicas Urbanas. 

O site do projeto traz diversas informações adicionais; acesse e divulgue