O projeto, conduzido pelos pesquisadores João e Silva Costa (GTA-PEE/COPPE-DEL/Poli, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Guilherme A. Thomaz, Ronaldo A. Ferreira e Miguel Elias M. Campista (Facom, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS), foi apresentado no Salão de Ferramentas do SBRC 2026
O FLeer2FLeer (F2F) é uma ferramenta web para orquestração de aprendizado federado baseada em uma arquitetura P2P. O F2F introduz um indexador responsável pela descoberta, anúncio e ingresso de clientes nas múltiplas federações, sem interferir no processo de treinamento.
A ferramenta fornece uma infraestrutura de orquestração descentralizada para o Aprendizado Federado (FL), permitindo treinar modelos de inteligência artificial sem comprometer a privacidade dos usuários que detêm os dados.
O projeto, conduzido pelos pesquisadores João Silva e Costa (GTA-PEE/COPPE-DEL/Poli, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Guilherme A. Thomaz, Ronaldo A. Ferreira e Miguel Elias M. Campista (Facom, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS), foi apresentado no Salão de Ferramentas do SBRC 2026 e está disponível nos anais do simpósio.
Aprendizado federado
O trabalho está relacionado ao aprendizado federado (Federated Learning), uma abordagem desenvolvida inicialmente pela Google para solucionar um problema central no treinamento de modelos de inteligência artificial: a necessidade de coletar grandes volumes de dados dos usuários, o que gerava preocupações com privacidade.
Em vez de centralizar os dados dos usuários em um único servidor para treinar os modelos, a proposta do aprendizado federado inverte essa lógica. O modelo é enviado aos dispositivos ou organizações que possuem os dados, onde o treinamento é realizado localmente. Posteriormente, apenas as atualizações dos modelos treinados são enviadas de volta ao servidor central, que combina (“faz o merge”) essas contribuições para produzir um modelo global cada vez mais preciso e convergente. Esse processo depende da participação de múltiplos clientes treinando o modelo em paralelo.
O procedimento é repetido até que o modelo convirja ou algum critério de parada seja alcançado. Essa abordagem de treinamento distribuído, por preservar a privacidade dos usuários, é bastante adequada para situações em que o treinamento exige informações sensíveis dos usuários, como dados provenientes de sistemas de Internet das Coisas (IoT), dados médicos ou produzidos por dispositivos móveis.
Peer-to-Peer
Grande parte dos trabalhos existentes na literatura assume que esses processos de treinamento já estão em andamento. No entanto, pouco se discute sobre uma questão prática: como um novo participante ingressa em um processo de treinamento federado? Como uma empresa ou um usuário que possui dados pode encontrar um treinamento compatível e começar a contribuir?
É justamente essa lacuna que o artigo procura abordar. A proposta permite que um cliente — seja uma empresa ou um usuário final, detentor dos dados — localize modelos de aprendizado federado compatíveis com seus interesses e participe dos respectivos processos de treinamento. Para isso, o sistema disponibiliza um servidor que atua como ponto de entrada para esses treinamentos.
Ao participar com seus próprios dados, o cliente contribui para o aperfeiçoamento do modelo e, ao mesmo tempo, obtém um sistema mais adaptado às suas necessidades específicas. Além disso, modelos já existentes podem continuar sendo refinados continuamente à medida que novos dados são incorporados ao processo de treinamento.
Proposta
O trabalho dos pesquisadores propõe o desenvolvimento de uma ferramenta web inspirada na arquitetura P2P, chamada de FLeer2FLeer (F2F), para treinamento de modelos federados. O F2F propõe um servidor operando como indexador para descoberta e gerenciamento de federações. Diferente das abordagens focadas em mudanças complexas no algoritmo, a ferramenta prioriza a experiência do usuário e a governança de múltiplos treinamentos de modelos simultâneos.
FLeer2FLeer é uma ferramenta inovadora que une aprendizado federado e arquitetura par a par para otimizar o treinamento de modelos de inteligência artificial. Diferente dos métodos tradicionais que centralizam informações privadas, essa solução permite que os dados permaneçam com os usuários, promovendo maior privacidade e segurança durante o processamento.
O sistema facilita a colaboração entre empresas e indivíduos, possibilitando que interessados localizem e contribuam com treinamentos específicos de forma distribuída. Ao descentralizar o esforço computacional, a plataforma ajuda a reduzir custos operacionais e torna os modelos mais precisos e personalizados para as necessidades reais dos participantes. O foco central é superar os desafios de implementação prática, conectando detentores de dados a processos de orquestração de modelos globais de maneira eficiente.
Embora o sistema não seja um serviço público aberto, ele pode ser implantado dentro de empresas, permitindo que diferentes organizações realizem treinamentos colaborativos sobre dados distribuídos, sem necessidade de centralizá-los.
Essa abordagem também possibilita a distribuição do custo computacional entre os participantes, já que o processamento é realizado de forma descentralizada. O principal desafio agora é transformar essa solução em uma tecnologia aplicável em cenários reais, ampliando sua adoção fora do ambiente de pesquisa.