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Dave Cavalcanti apresenta webinar ‘Enabling Real-Time Systems & AI at the Edge’ dia 2 de abril

Em sua apresentação o Dr. Dave Cavalcanti, Engenheiro Sênior na Intel, examinará os fundamentos arquitetônicos e de nível de sistema necessários para viabilizar a computação determinística em tempo real em conjunto com aplicações de IA em plataformas de borda modernas.

Vai enfocar a computação coordenada no tempo, as cargas de trabalho de criticidade mista e a convergência entre computação e rede como fatores-chave para os sistemas ciberfísicos de próxima geração.

A apresentação discutirá recursos de hardware, software e rede, como Time-Sensitive Networking, ferramentas de benchmarking e seu papel na viabilização de sistemas em tempo real aprimorados por IA em diversos mercados verticais.

O palestrante

Dave Cavalcanti é engenheiro sênior na Intel Corporation, com ampla experiência em sistemas de rede distribuídos, conectividade, padrões do setor e ecossistemas. Ele também atua como presidente da Avnu Alliance, um fórum do setor que promove padrões e programas de certificação para possibilitar um desempenho determinístico em tempo real com base em dispositivos interoperáveis de Time Sensitive Networking (TSN) e redes convergentes.

Ele obteve o título de doutor em Ciência da Computação e Engenharia em 2006 pela Universidade de Cincinnati, mestrado em Ciência da Computação e bacharelado em Engenharia Eletrônica pela UFPE, no Brasil. Publicou mais de 50 artigos revisados por pares e detém mais de 125 patentes concedidas. Ocupou vários cargos de liderança em conferências e publicações do IEEE.

 

K8s-DT – Conheça o projeto do professor Francisco Airton

No projeto de pesquisa conduzido pelo professor Francisco Airton (UFPI), ele e seus alunos Iure Fé (doutorado), José Miqueias (mestrado) e Lucas Lopes (mestrado) desenvolvem modelos analíticos baseados em Redes de Petri, usados para representar matematicamente qualquer sistema distribuído. Eles criam um diagrama que descreve o sistema e realizam cálculos probabilísticos para obter diversas métricas, utilizando uma ferramenta específica para isso.

Airton considera que esses modelos também podem ser interpretados como digital twins. A partir disso, o grupo seleciona um sistema de informação específico — no caso do aluno de doutorado, o Kubernetes — e constrói modelos de Redes de Petri que representam a implantação do Kubernetes. Depois de modelar esse sistema, eles integram o modelo a um software capaz de executá-lo e monitorar o Kubernetes em tempo real. 

Já os alunos de mestrado usam outros sistemas monitorados: um deles trabalha com monitoramento por câmera, e outro com um simulador de drones.

A equipe está preparando artigos para o SBRC deste ano, descrevendo como a plataforma de digital twin pode apresentar desempenho superior a diferentes tipos de autoscaling. Neste caso, o sistema testa diferentes configurações e simula cenários (“what if”), o que permite identificar a melhor opção antes de aplicá-la no ambiente real.

Na arquitetura cliente-servidor tradicional, o Kubernetes opera ao lado dos servidores e pode conectar-se a qualquer cliente, incluindo dispositivos de IoT. Nesses dispositivos, um conjunto de sensores gera dados que variam conforme o contexto, como horário do dia ou fluxo de veículos. Essa variação na demanda exige ajustar dinamicamente a configuração da implantação do Kubernetes. É neste ponto que pode atuar o K8s-DT, prevendo a melhor nova configuração a ser implementada.

Pesquisador do ICoNIoT lança livro sobre aprendizado de máquina para o gerenciamento de redes

Oscar Mauricio Caicedo Rendon, um dos membros da rede internacional de pesquisadores do INCT ICoNIoT, lançará em 26 de abril deste ano de 2026 seu livro “Machine Learning for Network Management”. O livro está sendo publicado pela Springer Nature e poderá ser adquirido completo ou por capítulos.

“Machine Learning for Network Management” foi escrito para ser um texto guia para estudantes de mestrado e doutorado que estejam interessados em estudar a  aplicação do aprendizado de máquina em redes, introduzindo-se no mundo dos algoritmos úteis para resolver problemas de gerenciamento de redes. 

O autor

Oscar Mauricio Caicedo é professor da Faculdade de Engenharia Eletrônica e Telecomunicações da Universidad del Cauca, Colômbia, onde é membro do Grupo de Engenharia Telemática. Ele  fez seu doutorado na UFRGS, orientado pelo pesquisador Lisandro Granville. Quando voltou para a Colômbia no ano 2015, começou a trabalhar na área de gerenciamento de redes usando algoritmos de machine learning com o Professor Nelson Fonseca, muito antes da explosão da IA generativa que tem sido observada. 

Em 2018, o prof. Caicedo já estava publicando os primeiros resultados de sua pesquisa em ML para gerenciamento de redes e continua fazendo-lo em 2026. Seu livro aproveita toda essa experiência de mais de dez anos de pesquisa, usando reinforcement learning, deep reinforcement learning, federated learning, explainable artificial intelligence, e large/small language models, para resolver problemas de falhas, configuração, rendimento, e segurança em redes de comunicação.

Composição do livro

O livro divide-se em três partes, sendo a primeira conceitual, sobre ML e gerenciamento de redes, trazendo uma cronologia de ML na gerência de redes desde os anos de 1950 até 2024/2025, quando encontra a IA generativa.

A segunda parte trata especificamente da configuração de redes, passando por elementos como performance, segurança, falhas de configuração e a definição de algoritmos para cada uma dessas áreas. São apresentados algoritmos e códigos, sua complexidade computacional, e casos de uso.

A terceira e última parte apresenta com mais profundidade um exemplo de aplicação do uso da IA generativa para o gerenciamento de redes. Introduz um problema que pode ser abordado usando IA gen, objetivando trazer um caso atual.

Além dos exemplos com códigos, cada capítulo apresenta exercícios práticos e a solução para eles, além de slides para que professores possam utilizar, personalizando-os como desejarem.

O livro conecta-se com diversas pesquisas desenvolvidas no ICoNIoT.

Para saber mais, acesse a página da obra no site da Springer Nature.

 

 

Projetos coordenados por pesquisadores do INCT ICoNIoT são contemplados no OpenRAN@Brasil

No começo do ano, o Programa OpenRAN@Brasil divulgou o resultado da Chamada para Aplicações 5G Open RAN e Hospedeiros, iniciativa voltada ao fomento de soluções inovadoras baseadas em redes abertas de acesso por rádio. As propostas selecionadas têm como objetivo impulsionar o desenvolvimento de aplicações 5G Open RAN em áreas estratégicas para o país.

Das cinco propostas contempladas, três são coordenadas por pesquisadores do INCT ICoNIoT. São elas: GreenRAN: Open RAN Sustentável para o Agro e Campi Inteligentes/Coordenador: Eduardo Cerqueira (UFPA); OpenHealth5G: Open 5G Networking for Digital Health/Coordenador: Juliano Wickboldt (UFRGS); e Sentinel-5GO: Monitoramento Colaborativo de Segurança e Meio Ambiente em Redes 5G Open RAN/Coordenador: Augusto Neto (UFRN).

Também uma quarta proposta, intitulada CampusRAN: Campus Inteligente com Rede de Acesso via Rádio Aberta e coordena por Dianne Scherly (UFF), conta com a participação dos pesquisadores do ICoNIoT Igor Moraes e Diogo Mattos, ambos da UFF.

Conheça as propostas:

GreenRAN: Open RAN Sustentável para o Agro e Campi Inteligentes

A proposta “GreenRAN: Open RAN Sustentável para o Agro e Campi Inteligentes” oferece a Solução-ORAN-Green, que será sistemática e extensivamente avaliada a partir de duas aplicações desenvolvidas em distintos casos de uso, nas verticais “Agro 4.0 e Conectividade Rural” (principal) e “Cidades e Campi Inteligentes” (secundária). Essas aplicações utilizarão a conectividade 5G proporcionada pela Rede-5G-Green, hospedada no campus da UFPA em Belém.

Sentinel-5GO

No caso do projeto Sentinel-5GO, da UFRN em parceria com a Universidade de Aveiro em Portugal e com a Brisanet Serviços de Telecomunicações S.A., o objetivo é e validar uma solução integrada que combina o potencial das redes 5G/OpenRAN, processamento de dados no continuum telco-Cloud (computação em borda e extrema borda), inteligência artificial multimodal e percepção colaborativa em dois casos de uso estratégicos voltados a Cidades e Campi Inteligentes: segurança pública inteligente (por meio da aplicação PubSafe) e monitoramento ambiental e de biodiversidade (pautado na aplicação EnvMon).

O projeto utilizará a infraestrutura aberta e desagregada da ilha do Programa OpenRAN@Brasil na UFRN, como plataforma de experimentação e validação de tecnologias 5G abertas e interoperáveis. As aplicações PubSafe e EnvMon exploram as capacidades da rede 5G. A aplicação PubSafe busca aprimorar a segurança pública e o monitoramento inteligente do Campus Central da UFRN, utilizando drones, robôs e câmeras conectadas à ilha OpenRAN@Brasil para detecção de incidentes e geração automática de alertas. Já a aplicação EnvMon aplica sensores IoT, câmeras e microfones no campus e em parte do Parque das Dunas para monitoramento ambiental e da biodiversidade, utilizando IA para identificação de fauna e flora, estimativa de créditos de carbono e análise climática.

OpenHealth5G

O OpenHealth5G, parceria da UFRGS com a PUC-RS, a Federal de Ciências da Saúde e a UNISINOS, propõe o desenvolvimento e a experimentação de aplicações inovadoras em Saúde Digital e Conectada, explorando o potencial das tecnologias abertas de redes 5G e Open RAN. Os cenários de uso priorizados incluem telessaúde emergencial, que permitirá o atendimento remoto em situações críticas com suporte a dispositivos médicos e sensores conectados, e educação médica imersiva, que utilizará recursos de realidade aumentada e virtual para formar estudantes e profissionais de saúde.

CampusRAN

O objetivo deste projeto é implantar um campus inteligente na UFF para desenvolvimento e experimentação de aplicações 5G Open RAN. Serão desenvolvidas duas aplicações, Dashboard de Monitoramento e Aplicação de Conectividade Gamificada, que envolvem os seguintes serviços: localização indoor de UEs, videomonitoramento para segurança da comunidade do campus e controle ambiental, sensoriamento de espaços internos e externos e acesso à Internet para a comunidade acadêmica.

Expansão nacional do testbed

Além da seleção das aplicações, a chamada também aprovou novas instituições hospedeiras que receberão as ilhas do Programa OpenRAN@Brasil. A ampliação do número de hospedeiros fortalece a expansão nacional do testbed, permitindo maior capilaridade da infraestrutura e ampliando o acesso de pesquisadores das regiões Norte, Nordeste e Sul do país. Na região Nordeste, a UFRN será a contemplada com a ilha, também sob a coordenação do professor Augusto Neto.

Infraestruturas de pesquisa

Os projetos aprovados no OpenRAN@Brasil se alinham ao propósito da UNICAMP de desenvolver e implantar infraestruturas de pesquisa, bem como as ferramentas de controle associadas para permitir experimentação, na Europa e no Brasil, a fim de fomentar a pesquisa experimental no ponto de convergência entre as redes ópticas e sem fio. Ainda em 2016, a UNICAMP desenvolveu com a UFRGS, UFMG, UFES e UFCE e universidades europeias o projeto FUTEBOL –  cujo objetivo foi desenvolver e implantar infraestruturas de pesquisa, bem como as ferramentas de controle associadas para permitir experimentação, na Europa e no Brasil, a fim de fomentar a pesquisa experimental no ponto de convergência entre as redes ópticas e sem fio.

 Inovação aberta

Uma das grandes potencialidades do OpenRAN@Brasil é implementar um ambiente de experimentação (testbed) que abre muitas possibilidades de pesquisas, por ser aberto. Ambientes de experimentação assim costumam ter um custo que pode impedir pesquisadores com menos recursos. As aplicações aprovadas irão explorar o potencial do ecossistema Open RAN, que, além da experimentação, permitirá a validação tecnológica e geração de conhecimento aplicado em diferentes contextos de uso, alinhados às demandas nacionais de inovação e transformação digital.

O programa é executado pela RNP, CPQD, Inatel e pelo Instituto Eldorado. Estimula a colaboração entre a indústria e a academia e busca promover os modelos de desenvolvimento colaborativo, sem se limitar ao open source. Procura atender a demandas de prestadores de serviço e usuários de redes privadas, promover o ecossistema de inovação através do espaço de experimentação e demonstração, promover cenários de aplicação (redes públicas e privadas) e apoiar a formação de recursos humanos.

 

Pesquisadores do ICoNIoT estão em quatro dos cinco minicursos aceitos para o SBRC

A 44ª edição do Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC) será realizada de 25 a 29 de maio de 2026 no formato presencial.

Recentemente, foram divulgados os minicursos aprovados para o simpósio: são cinco minicursos, dos quais quatro incluem pesquisadores do ICoNIoT.

Confira os cursos e pesquisadores participantes:

Minicurso 1
Ataques em Aprendizado Federado: Impactos Práticos e Estratégias de Mitigação, Helio N. Cunha Neto (UERJ), Carlos Henrique Nunes (UERJ), Raphael Ortolan (UERJ), Ian Vilar Bastos (UERJ), Evandro Luiz Cardoso Macedo (UERJ), Rafaela Correia Brum (UERJ), Alexandre Sztajnberg (UERJ), Diogo Menezes Ferrazani Mattos (UFF)

Minicurso 2
Aprendizado Federado Veicular: da Teoria à Prática, Lucas Airam C. de Souza (UFRJ), Guilherme Thomaz (UFRJ), Mateus da Silva Gilbert (UFRJ), Vinicius Avena (UFRJ), Felipe Gomes Táparo (UFRJ), João Sobrinho (UFRJ), Fernando Silva (UFRJ), Nadjib Achir (INRIA Saclay), Miguel Elias Mitre Campista (UFRJ), Luis Henrique Maciel Kosmalski Costa (UFRJ)

Minicurso 3
Agentes Inteligentes para Configuração de Redes de Computadores: Da Teoria à Prática com LLM, SLM, RAG e IA Agentic,William Lima Reiznautt (UNICAMP), Eduardo Coelho Cerqueira (UFPA), Diogo Maciel Cunha (UNICAMP), Leandro Villas (UNICAMP), Antonio Alfredo Ferreira Loureiro (UFMG), Denis Rosário (UFPA), Allan M. de Sousa (UNICAMP), Nelson Fonseca (UNICAMP).

Minicurso 5
Construção de Sistemas de Gêmeos Digitais: Uma Abordagem baseada em Middleware, André Gustavo Almeida (IFRN), Lucas Pereira (UFRN), Thais Vasconcelos Batista (UFRN), Everton Cavalcante (UFRN), Flavia Delicato (UFF), Rebeca Mota (UFF).

Webinar “Language Models for Network Configuration” com o prof. Nelson Fonseca, coordenador-geral do ICoNIoT

No dia 5 de março de 2026 acontece o webinar “Language Models for Network Configuration”, ministrado pelo coordenador-geral do INCT ICoNIoT Nelson Fonseca. Confira a seguir o resumo da apresentação:

Network configuration encompasses the setup and management of parameters that ensure computer networks operate reliably and securely. This process spans hardware configuration—routers, switches, and firewalls—as well as the design of protocols, IP addressing schemes, routing strategies, and security policies. However, as networks continue to scale in size and complexity, manual configuration proves increasingly inefficient and error-prone. To address these challenges, network configuration has become a cornerstone of automation frameworks such as the Zero-touch Network & Service Management (ZSM) paradigm, which envisions self-healing, self-configuration, self-monitoring, self-optimization, and self-protection.

While large language model (LLM)-based intent-driven self-configuration has shown significant promise, it also introduces notable barriers: high computational cost, resource intensity, and privacy concerns due to dependency on external infrastructure. In this talk, I will present a lightweight, fine-tuned, small language model (SLM) approach built upon an agent-based architecture. By employing parameter-efficient techniques, this framework enables the rapid translation of configuration requests—posed as natural language requirements or questions—into syntactically and semantically valid network configurations. Crucially, this can be achieved fully on-premise, ensuring efficiency, accuracy, and privacy. This novel approach points to a secure and practical path forward for intent-driven, automated network self-configuration in next-generation systems.

Não é necessário se inscrever para participar do webinar, basta acessar o nosso canal no YouTube.

Esperamos vocês!

. Data: 5 de março de 2026, 5a feira.
. Horário: 16h.
. Transmissão pelo canal INCT ICoNIoT no YouTube

ICoNIoT celebra os bons resultados de universidades parceiras na Avaliação Quadrienal da CAPES 2025

O INCT ICoNIoT conta com a participação de mais de 20 universidades no Brasil e no exterior. Os pesquisadores de cada uma delas fazem a diferença para conseguirmos avançar em projetos coletivos que se debruçam sobre questões de pesquisa relacionadas à Internet das Coisas inteligentes e ao uso da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes aplicadas à IoT.

É com muito orgulho que compartilhamos que os programas de pós-graduação em Ciência da Computação de duas de nossas universidades parceiras aumentaram as suas notas a partir da Avaliação Quadrienal 2025 da CAPES: a UFF (Universidade Federal Fluminense) teve a nota de seu programa aumentada de 6 para 7, enquanto a UFPA (Universidade Federal do Pará) obteve o aumento da nota de seu programa de 5 para 6.

Celebramos, ainda, a manutenção da nota 7 para os programas de Ciência da Computação da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais),  da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Para essa avaliação, a CAPES se utiliza de indicadores de produção intelectual, números na formação de mestres e doutores, internacionalização, fluxo e qualidade do corpo discente, qualidade do corpo docente e inserção internacional e social dos programas, entre outros critérios. São também utilizadas as informações fornecidas pelos programas com relação a um subconjunto das publicações e produções tecnológicas de maior impacto do programa. Também foram avaliados os prêmios recebidos pelos programas, seus docentes, discentes e casos de sucesso.

Em frente!

2025 sob ataque: o que aprendemos com um ano decisivo para a cibersegurança?

Matéria escrita pela pesquisadora Michele Nogueira, do ICoNIoT e do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, e publicada originalmente no blog Horizontes, da SBC, em 26 de dezembro de 2025.

Nos preparativos para 2026, senti oportuno olhar para trás e refletir sobre o caminho percorrido em 2025 pela coluna Atualidades em Cibersegurança da revista Horizontes da SBC. Mais do que revisitar as matérias publicadas ao longo de ano, esse exercício de retrospectiva despertou a vontade de conectar esses textos e destacar os principais acontecimentos que marcaram a cibersegurança no Brasil e no mundo. O resultado dessa retrospectiva está nos próximos parágrafos. Espero que a leitura inspire reflexões e perguntas. Aproveito para desejar a todas e todos um excelente 2026. Que sigamos em frente, criando, ensinando e inovando para a construção de um mundo digital cada vez mais seguro.


Posso dizer que 2025 consolidou-se como um ano emblemático para a cibersegurança no Brasil e no mundo. Em um cenário marcado pela aceleração da transformação digital, pela popularização de sistemas baseados em inteligência artificial, pelo avanço das discussões sobre computação quântica e pela crescente dependência de infraestruturas digitais críticas, a cibersegurança deixou definitivamente de ser um tema restrito a especialistas e passou a ocupar o centro do debate público, político e econômico. Foi nesse contexto que a coluna Atualidades em Cibersegurança da revista Horizontes da SBC publicou, ao longo do ano, uma série de dez matérias que buscaram traduzir temas complexos em reflexões acessíveis, conectadas à realidade brasileira e alinhadas às tendências globais.

A retrospectiva de 2025 começa com um olhar para o fator humano e para o mercado de trabalho. A matéria sobre carreiras em cibersegurança evidenciou um setor em expansão, com déficit global de profissionais qualificados e oportunidades crescentes em áreas como análise de riscos, resposta a incidentes, privacidade de dados e segurança de sistemas baseados em IA. Mais do que números, o texto destacou a necessidade de formação sólida, interdisciplinar e contínua, capaz de acompanhar um campo que evolui em ritmo acelerado. A matéria apontou as trilhas principais nas carreiras em cibersegurança. A organização em trilhas oferece uma visão estruturada da área, principalmente àqueles interessados em iniciar uma carreira em cibersegurança.

Na sequência, a coluna voltou-se para um ator central da economia brasileira: as pequenas e médias empresas. Ao discutir o impacto da cibersegurança nesse segmento, a matéria de março mostrou como ataques cibernéticos deixaram de ter como alvos exclusivos as grandes corporações. Em 2025, os golpes de ransomware, as fraudes digitais e os vazamentos de dados afetaram cada vez mais negócios locais, cooperativas, startups e prestadores de serviço, revelando a urgência de políticas de cibersegurança proporcionais à realidade dessas organizações. Infelizmente, os setores mais visados hoje continuam sendo o financeiro, a saúde e o governo. Vários exemplos de ataques a esses setores foram registrados ao longo deste ano.

Outro eixo fundamental abordado ao longo do ano foi a diversidade e a inclusão. A reflexão sobre a participação das mulheres na cibersegurança expôs um paradoxo persistente. Um setor repleto de oportunidades, mas ainda marcado por desigualdades estruturais. Em um momento em que o mundo discute justiça algorítmica, ética em IA e governança digital, a presença de diferentes perspectivas tornou-se não apenas uma questão social, mas também um fator estratégico para o desenvolvimento de soluções de cibersegurança mais robustas e representativas. A matéria publicada no final de março marcou a comemoração do mês das mulheres e também estava alinhada com as ações do projeto METIS: Mulheres de Exatas em Cibersegurança do CNPq.

À medida que o ano avançou, a coluna ampliou o olhar para o plano macro, discutindo a importância das políticas globais em cibersegurança e inteligência artificial. Em 2025, debates internacionais sobre regulação da IA, soberania digital, proteção de dados e segurança de infraestruturas críticas ganharam força, com impactos diretos no Brasil. A matéria de abril ressaltou como decisões tomadas em fóruns multilaterais, blocos econômicos e acordos internacionais influenciam o ecossistema nacional de inovação, pesquisa e cibersegurança. A matéria também ressaltou as atividades do Grupo de Trabalho do BRICS sobre segurança e uso de tecnologias de informação e comunicação no contexto da Parceria BRICS para a Nova Revolução Industrial (PartNIR).

Nesse mesmo movimento de antecipar o futuro, a matéria de maio trouxe uma discussão sobre computação quântica e cibersegurança, revisitando tanto promessas quanto riscos, aproveitando o ensejo de reflexões promovidas pela UNESCO no ano internacional de Ciência e da Tecnologia Quântica. Se, por um lado, a computação quântica abre novas fronteiras para ciência e tecnologia, por outro, ela desafia os fundamentos da criptografia atual. Em 2025, o tema deixou de ser apenas teórico e passou a integrar agendas estratégicas de governos e empresas, reforçando a necessidade de transição para soluções criptográficas pós-quânticas.

A governança também ganhou destaque com a análise da cibersegurança na era do 6G e das cidades inteligentes. A perspectiva de redes ultraconectadas,  dos sistemas autônomos e da integração maciça entre mundo físico e digital enfatizou questões críticas sobre privacidade, resiliência e responsabilidade. A matéria de junho mostrou que a segurança dessas infraestruturas não pode ser pensada apenas do ponto de vista tecnológico. Ela exige modelos de governança capazes de articular poder público, setor privado, academia e sociedade civil.

A relação entre inteligência artificial e cibersegurança foi outro tema central na matéria de julho de 2025. Em um contexto de competição tecnológica global, a IA apareceu simultaneamente como ferramenta de defesa e como vetor de novos ataques. A matéria explorou como países e organizações que conseguem integrar IA de forma responsável às suas estratégias de cibersegurança tendem a ganhar vantagem competitiva, enquanto a ausência de governança adequada amplia riscos sistêmicos. No cenário brasileiro, a discussão sobre a Estratégia Nacional de Cibersegurança – E-Ciber 2025 marcou um ponto de inflexão. A matéria de agosto destacou a noção de soberania digital e o caráter coletivo da cibersegurança, enfatizando que a proteção do espaço digital nacional depende de ações coordenadas, investimento em ciência e tecnologia, formação de talentos e conscientização da sociedade.

Encerrando o ano, dois textos trouxeram reflexões complementares e profundas. A matéria de outubro explorou como o estudo da personalidade e do comportamento humano pode fortalecer a defesa cibernética, evidenciando o papel da engenharia social, da psicologia e da ciência de dados na prevenção de ataques. A matéria de novembro, ao analisar o roubo ao Museu do Louvre, mostrou como falhas básicas de cibersegurança continuam presentes mesmo em instituições renomadas protegidas por empresas de cibersegurança amplamente conhecidas. As últimas reflexões reforçam uma lição central para 2025, a lição que tecnologia sem cultura de cibersegurança é insuficiente.

Ao longo de suas dez matérias, a coluna Atualidades em Cibersegurança acompanhou e interpretou um ano intenso, marcado por avanços tecnológicos, tensões geopolíticas, novos marcos regulatórios e incidentes emblemáticos. A coluna trouxe esses temas de uma forma didática, visando serem acessíveis a todos. Mais do que uma retrospectiva, esse conjunto de textos constrói uma narrativa clara. A cibersegurança é hoje um pilar da soberania, da inovação e da confiança digital. Olhar para 2025 é, portanto, reconhecer os desafios enfrentados, valorizar os aprendizados construídos e reforçar a necessidade de uma atuação contínua, colaborativa e baseada em ciência para os anos que virão.

Os textos de todas as matérias publicadas na coluna Atualidades em Cibersegurança estão disponíveis clicando no link.

Boas leituras!

Feliz 2026 a todos!

Workshop virtual do ICoNIoT acontece dias 15 e 16 de dezembro – Inscreva-se!

Nos dias 15 e 16 de dezembro, segunda e terça, teremos o workshop virtual do nosso INCT ICoNIoT, que contará com oito apresentações dos nossos pesquisadores e dois keynotes especiais:

. No dia 16/12 às 14h (Brasília) teremos uma apresentação do Dr. Shiwen Mao (Universidade de Auburn). A apresentação será intitulada “Generative AI-empowered 3D human pose tracking”;

. No dia 15/12 às 17h teremos uma apresentação da Dra. Michele Nogueira (UFMG/Comitê gestor do ICoNIoT). A apresentação será intitulada ‘Resiliência Cibernética Orientada a Dados: Uma Faca de Dois Gumes para Segurança e Privacidade’.

Convidamos a todos para estar conosco nesses encontros super especiais. Solicitamos apenas que, por gentileza, os interessados em participar enviem um e-mail para cpl@unicamp.br para que possam receber o link das apresentações.

Os detalhes dos keynotes estão no blog do ICoNIoT.

Aguardamos vocês!

Dr. Michele Nogueira fará uma palestra no workshop do ICoNIoT em 15 de dezembro

A Dr. Michele Nogueira, pertencente ao comitê gestor do ICoNIoT e coordenadora da linha temática de segurança do INCT, fará uma palestra intitulada ‘Resiliência Cibernética Orientada a Dados: Uma Faca de Dois Gumes para Segurança e Privacidade’, dentro da programação do workshop do INCT ICoNIoT que acontece nos dias 15 e 16 de dezembro. A apresentação da pesquisadora acontece no dia 15/12.

Resumo:

Em um mundo cada vez mais conectado e rico em dados, a resiliência cibernética não se resume mais a suportar falhas — trata-se de se adaptar, aprender e se recuperar em tempo real. No centro dessa evolução estão os dados: vastos, dinâmicos e cada vez mais essenciais para a tomada de decisões em sistemas seguros e confiáveis. Mas, embora as estratégias orientadas a dados tenham aberto novas fronteiras na detecção de ameaças, na adaptação de sistemas e na predição de anomalias, elas também introduziram novas vulnerabilidades. Desde o envenenamento de conjuntos de treinamento em modelos de aprendizado de máquina até vazamentos de metadados em logs de sistema, os dados podem fortalecer tanto defensores quanto adversários. Esta palestra explora o paradoxo da resiliência orientada a dados, como os conjuntos de dados que permitem defesa adaptativa e tolerância a falhas também podem expor os sistemas a novos vetores de ataque e violações de privacidade. Com base em estudos de caso reais, insights de pesquisas e lições, examinaremos as compensações inerentes à construção de sistemas resilientes por meio de dados.