O trabalho com efeitos sensoriais e experiências multimídia para telas 2D ou ambientes imersivos – daqueles que demandam óculos de realidade virtual – faz parte da rotina da pesquisadora Débora Muchaluat Saade, da UFF. Ela é a coordenadora da linha de pesquisa em Saúde Digital do INCT ICoNIoT.
O mundo digital encontra o físico
Muchaluat Saade trabalha criando ambientes de relaxamento a partir dos ambientes virtuais imersivos. Esses recursos são pensados para pessoas com neurodivergências, por exemplo pessoas com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Eles podem ser integrados ao mundo físico com dispositivos IoT que fazem essa conexão. Associada a essa noção de experiências multissensoriais, foi desenvolvida, por exemplo, uma bateria que integra a dimensão virtual com a física, unindo baquetas instrumentadas (físicas) e óculos para a imersão 3D. Os movimentos de quem toca a bateria, que é virtual, geram um efeito háptico – isto é, no tato – de modo que a pessoa que toca sente nos dedos as vibrações de sua baqueta “batendo” no instrumento. Há outro projeto, em andamento – em parceria com o professor Marcelo Fernandes, da UFRN, e outras universidades que integram o ICoNIoT – para a produção de um piano que funciona de modo semelhante.
A robótica socialmente assistiva é um campo também muito promissor para as terapias de regulação emocional, por exemplo. São as terapias aplicadas aos pacientes que têm dificuldade de entender a emoção do outro e expressar as suas próprias emoções. Os robôs possibilitam os diálogos com crianças nessas condições, estimulando-as a se comunicar e a identificar emoções, reconhecendo também aquilo que elas próprias sentem.
Já com idosos, os robôs socialmente assistivos podem ser aplicados para estimular a cognição. A memória, por exemplo, pode ser melhorada com jogos semelhantes ao “Genius”. Controlando lâmpadas inteligentes, o robô mostra uma sequência de luzes com cores, enquanto o usuário precisa ficar atento e dizer qual foi a sequência observada.
A pesquisadora Débora Muchaluat Saade e sua equipe se preocupam em desenvolver aplicações que sejam eficientes quanto às tecnologias envolvidas, mas que também sejam acessíveis e de baixo custo. É importante, ainda, que essas tecnologias se mostrem capazes de contribuir para criar espaços abertos para a experimentação do público.
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Robótica assistiva e inclusão
Uma outra aplicação de recursos assistivos relatada por Muchaluat Saade foi o uso do robô socialmente assistivo para a inclusão de meninas e mulheres nas ciências exatas. Esse recurso foi usado no projeto Include <meninas.uff>, que é parceiro do Programa Meninas Digitais da SBC (Sociedade Brasileira de Computação). É um projeto de extensão da UFF que conta atualmente com 15 voluntárias e já teve mais de 50 colaboradoras durante toda a sua história.
Uma das vertentes do projeto visa ensinar conceitos de computação para meninas dos colégios públicos de Niterói. Sendo assim, foi realizado um hackathon no qual a metodologia de design thinking foi aplicada para estimular as participantes a pensarem num problema e propor uma solução.
O problema proposto foi que as equipes de estudantes imaginassem o robô assistivo na escola, e pensassem em maneiras como ele poderia ser útil no espaço escolar. As estudantes aprenderam a programar na linguagem do robô – sendo, para isso, utilizado um simulador, ambos desenvolvidos pela equipe da UFF, numa atividade que durou seis semanas. Semanalmente, as alunas compareciam à universidade, onde iam cumprindo cada etapa da metodologia do design thinking. No processo, elas desenvolveram soluções programando para o robô e, no final, rodaram os programas de cada equipe no robô.
Uma das ideias que emergiram dessa atividade foi a de seguir utilizar o robô para ensinar pensamento computacional nas escolas. Essa é uma das habilidades agora presentes na BNCC, que preconiza a importância das capacidades de “compreender, analisar, definir, modelar, resolver, comparar e automatizar problemas e suas soluções, de forma metódica e sistemática, por meio do desenvolvimento de algoritmos”.
Saiba mais:
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Jogos Sérios para Auxiliar o Exercício Cognitivo de Idosos – Utilizando o Robô Social EVA
Immersive Authoring of 360 Degree Interactive Applications

O INCT ICoNIoT recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento da Professora Liane Margarida Rockenbach Tarouco, ocorrido na tarde de quarta-feira, 20 de agosto de 2025, em Porto Alegre.
A Professora Liane foi reconhecida nacionalmente como uma das pioneiras da Internet no Brasil. É autora do primeiro livro sobre redes de computadores publicado no país (“Redes de Comunicação de Dados”, 1977) e foi a única mulher brasileira incluída no Internet Hall of Fame, o que aconteceu em 2021. Liane Tarouco também criou e coordenou o PoP-RS, o Ponto de Presença da RNP no Rio Grande do Sul, e foi uma das mentes por trás da Rede Nacional de Pesquisa.
Ao longo de sua carreira acadêmica, Tarouco orientou dezenas de dissertações e teses de doutorado em programas de ciências da computação. Também desenvolveu atividades de treinamento em redes em todo o Brasil, bem como no Uruguai, Argentina, Peru, Venezuela, México, Portugal e Moçambique. Na década de 1990, ela se dedicou à pesquisa e ao desenvolvimento de aplicativos da Internet para a educação, expandindo o alcance de sua própria instrução e também os usos inovadores da rede para a aprendizagem.
Ao longo de sua trajetória na UFRGS, destacou-se por suas contribuições em redes de computadores, segurança e gerência de redes, liderando iniciativas estruturantes como a Rede Tchê (1993). Também exerceu funções de direção no Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED) e no Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação (PPGIE), além de colaborar na formação de profissionais e pesquisadores no Programa de Pós-Graduação em Computação (PPGC/INF/UFRGS).
No Instituto de Informática da UFRGS, sua atuação foi decisiva para consolidar o ensino e a pesquisa em redes de computadores, estruturando disciplinas, orientando estudantes e promovendo projetos que uniram a
prática de operação de redes ao desenvolvimento científico na universidade. Sua influência permanece visível em laboratórios, currículos e iniciativas colaborativas que formaram gerações na área.
Manifestamos solidariedade à família, amigos e ex-alunos, reconhecendo a importância de seu legado e seu papel na construção do conhecimento em áreas de suma importância para a pesquisa do nosso INCT.
Com informações de https://lnkd.in/dKg_SXG7
https://lnkd.in/ddEPfDaw e UFRGS