2025 sob ataque: o que aprendemos com um ano decisivo para a cibersegurança?

Matéria escrita pela pesquisadora Michele Nogueira, do ICoNIoT e do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, e publicada originalmente no blog Horizontes, da SBC, em 26 de dezembro de 2025.

Nos preparativos para 2026, senti oportuno olhar para trás e refletir sobre o caminho percorrido em 2025 pela coluna Atualidades em Cibersegurança da revista Horizontes da SBC. Mais do que revisitar as matérias publicadas ao longo de ano, esse exercício de retrospectiva despertou a vontade de conectar esses textos e destacar os principais acontecimentos que marcaram a cibersegurança no Brasil e no mundo. O resultado dessa retrospectiva está nos próximos parágrafos. Espero que a leitura inspire reflexões e perguntas. Aproveito para desejar a todas e todos um excelente 2026. Que sigamos em frente, criando, ensinando e inovando para a construção de um mundo digital cada vez mais seguro.


Posso dizer que 2025 consolidou-se como um ano emblemático para a cibersegurança no Brasil e no mundo. Em um cenário marcado pela aceleração da transformação digital, pela popularização de sistemas baseados em inteligência artificial, pelo avanço das discussões sobre computação quântica e pela crescente dependência de infraestruturas digitais críticas, a cibersegurança deixou definitivamente de ser um tema restrito a especialistas e passou a ocupar o centro do debate público, político e econômico. Foi nesse contexto que a coluna Atualidades em Cibersegurança da revista Horizontes da SBC publicou, ao longo do ano, uma série de dez matérias que buscaram traduzir temas complexos em reflexões acessíveis, conectadas à realidade brasileira e alinhadas às tendências globais.

A retrospectiva de 2025 começa com um olhar para o fator humano e para o mercado de trabalho. A matéria sobre carreiras em cibersegurança evidenciou um setor em expansão, com déficit global de profissionais qualificados e oportunidades crescentes em áreas como análise de riscos, resposta a incidentes, privacidade de dados e segurança de sistemas baseados em IA. Mais do que números, o texto destacou a necessidade de formação sólida, interdisciplinar e contínua, capaz de acompanhar um campo que evolui em ritmo acelerado. A matéria apontou as trilhas principais nas carreiras em cibersegurança. A organização em trilhas oferece uma visão estruturada da área, principalmente àqueles interessados em iniciar uma carreira em cibersegurança.

Na sequência, a coluna voltou-se para um ator central da economia brasileira: as pequenas e médias empresas. Ao discutir o impacto da cibersegurança nesse segmento, a matéria de março mostrou como ataques cibernéticos deixaram de ter como alvos exclusivos as grandes corporações. Em 2025, os golpes de ransomware, as fraudes digitais e os vazamentos de dados afetaram cada vez mais negócios locais, cooperativas, startups e prestadores de serviço, revelando a urgência de políticas de cibersegurança proporcionais à realidade dessas organizações. Infelizmente, os setores mais visados hoje continuam sendo o financeiro, a saúde e o governo. Vários exemplos de ataques a esses setores foram registrados ao longo deste ano.

Outro eixo fundamental abordado ao longo do ano foi a diversidade e a inclusão. A reflexão sobre a participação das mulheres na cibersegurança expôs um paradoxo persistente. Um setor repleto de oportunidades, mas ainda marcado por desigualdades estruturais. Em um momento em que o mundo discute justiça algorítmica, ética em IA e governança digital, a presença de diferentes perspectivas tornou-se não apenas uma questão social, mas também um fator estratégico para o desenvolvimento de soluções de cibersegurança mais robustas e representativas. A matéria publicada no final de março marcou a comemoração do mês das mulheres e também estava alinhada com as ações do projeto METIS: Mulheres de Exatas em Cibersegurança do CNPq.

À medida que o ano avançou, a coluna ampliou o olhar para o plano macro, discutindo a importância das políticas globais em cibersegurança e inteligência artificial. Em 2025, debates internacionais sobre regulação da IA, soberania digital, proteção de dados e segurança de infraestruturas críticas ganharam força, com impactos diretos no Brasil. A matéria de abril ressaltou como decisões tomadas em fóruns multilaterais, blocos econômicos e acordos internacionais influenciam o ecossistema nacional de inovação, pesquisa e cibersegurança. A matéria também ressaltou as atividades do Grupo de Trabalho do BRICS sobre segurança e uso de tecnologias de informação e comunicação no contexto da Parceria BRICS para a Nova Revolução Industrial (PartNIR).

Nesse mesmo movimento de antecipar o futuro, a matéria de maio trouxe uma discussão sobre computação quântica e cibersegurança, revisitando tanto promessas quanto riscos, aproveitando o ensejo de reflexões promovidas pela UNESCO no ano internacional de Ciência e da Tecnologia Quântica. Se, por um lado, a computação quântica abre novas fronteiras para ciência e tecnologia, por outro, ela desafia os fundamentos da criptografia atual. Em 2025, o tema deixou de ser apenas teórico e passou a integrar agendas estratégicas de governos e empresas, reforçando a necessidade de transição para soluções criptográficas pós-quânticas.

A governança também ganhou destaque com a análise da cibersegurança na era do 6G e das cidades inteligentes. A perspectiva de redes ultraconectadas,  dos sistemas autônomos e da integração maciça entre mundo físico e digital enfatizou questões críticas sobre privacidade, resiliência e responsabilidade. A matéria de junho mostrou que a segurança dessas infraestruturas não pode ser pensada apenas do ponto de vista tecnológico. Ela exige modelos de governança capazes de articular poder público, setor privado, academia e sociedade civil.

A relação entre inteligência artificial e cibersegurança foi outro tema central na matéria de julho de 2025. Em um contexto de competição tecnológica global, a IA apareceu simultaneamente como ferramenta de defesa e como vetor de novos ataques. A matéria explorou como países e organizações que conseguem integrar IA de forma responsável às suas estratégias de cibersegurança tendem a ganhar vantagem competitiva, enquanto a ausência de governança adequada amplia riscos sistêmicos. No cenário brasileiro, a discussão sobre a Estratégia Nacional de Cibersegurança – E-Ciber 2025 marcou um ponto de inflexão. A matéria de agosto destacou a noção de soberania digital e o caráter coletivo da cibersegurança, enfatizando que a proteção do espaço digital nacional depende de ações coordenadas, investimento em ciência e tecnologia, formação de talentos e conscientização da sociedade.

Encerrando o ano, dois textos trouxeram reflexões complementares e profundas. A matéria de outubro explorou como o estudo da personalidade e do comportamento humano pode fortalecer a defesa cibernética, evidenciando o papel da engenharia social, da psicologia e da ciência de dados na prevenção de ataques. A matéria de novembro, ao analisar o roubo ao Museu do Louvre, mostrou como falhas básicas de cibersegurança continuam presentes mesmo em instituições renomadas protegidas por empresas de cibersegurança amplamente conhecidas. As últimas reflexões reforçam uma lição central para 2025, a lição que tecnologia sem cultura de cibersegurança é insuficiente.

Ao longo de suas dez matérias, a coluna Atualidades em Cibersegurança acompanhou e interpretou um ano intenso, marcado por avanços tecnológicos, tensões geopolíticas, novos marcos regulatórios e incidentes emblemáticos. A coluna trouxe esses temas de uma forma didática, visando serem acessíveis a todos. Mais do que uma retrospectiva, esse conjunto de textos constrói uma narrativa clara. A cibersegurança é hoje um pilar da soberania, da inovação e da confiança digital. Olhar para 2025 é, portanto, reconhecer os desafios enfrentados, valorizar os aprendizados construídos e reforçar a necessidade de uma atuação contínua, colaborativa e baseada em ciência para os anos que virão.

Os textos de todas as matérias publicadas na coluna Atualidades em Cibersegurança estão disponíveis clicando no link.

Boas leituras!

Feliz 2026 a todos!

Webinário “Infraestrutura de conectividade e corresponsabilidade dos atores” conta com a participação de Antonio Abelem, pesquisador do INCT ICoNIoT

No próximo dia 5 de dezembro, a partir das 10h30, acontece o webinário  “Infraestrutura de conectividade e corresponsabilidade dos atores”.

Promovido pela Câmara de Universalização e Inclusão Digital e a Câmara de Conteúdo e Bens Culturais do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o encontro multissetorial pretende ser espaço de reflexão sobre a corresponsabilidade dos diferentes atores no desenvolvimento, manutenção e uso da Internet, considerando a interdependência entre plataformas digitais, provedores de conexão, infraestrutura de telecomunicações e de rede, governos e usuários.

A discussão busca analisar como as dinâmicas de uso e governança da Internet impactam, direta ou indiretamente, as relações entre esses atores e os prestadores de serviços, além de explorar modelos de corresponsabilidade, sustentabilidade e cooperação no ecossistema da Internet.

Webinário “Infraestrutura de conectividade e corresponsabilidade dos atores”
Quando: 05 de dezembro de 2025, das 10h30 às 12h30
Onde: Transmissão online no canal @NICbrvideos no YouTube (https://lnkd.in/dmWVmrBu)

PROGRAMAÇÃO:

10h30 às 10h45 | Abertura: moderadora Bia Barbosa contextualiza o webinário, apresentando um breve histórico das discussões da Câmara de Universalização e Inclusão Digital sobre o tema

10h45 às 11h30 | Bloco 1 – Infraestrutura e conectividade: pensando nos diferentes atores e setores envolvidos na construção da infraestrutura da Internet, quais as responsabilidades de cada um no desenvolvimento e manutenção da infraestrutura da rede, e na promoção da conectividade no Brasil?

11h30 às 12h15 | Bloco 2 – Corresponsabilidade e Governança: as relações entre diferentes agentes no ecossistema da Internet constroem arranjos para o funcionamento da rede. Nesse contexto, qual deve ser a responsabilidade de cada setor/ente e quais os desafios de governança colocados para ampliar a conectividade significativa no Brasil?

12h15 às 12h30 | Encerramento

Conheça os painelistas:

Bloco 1 – Infraestrutura e Conectividade:
·  Tiago Machado (Vivo)
·  Ana Luiza Prado de Almeida (MegaEdu)
·  Eduardo Jacomassi (Anatel)
·  Simone Ranieri (ESALQ/USP)

Bloco 2 – Corresponsabilidade e Governança:
·  Igor Vilas Boas de Freitas (Pakt Consultoria e Assessoria)
·  Flávia Lefèvre (NUPEF)
·  Renata Mielli (MCTI)
·  Antônio Abelem (Sociedade Brasileira de Computação)

Saiba mais

Aplicações de LLMs e SLMs na Configuração de Redes: o desafio da automação

Nelson Fonseca, coordenador do INCT ICoNIoT, foi keynote da LATINCOM 2025, apresentando trabalho sobre o uso de SLMs aplicados à configuração de redes

A configuração de redes é fundamental para garantir o funcionamento confiável e seguro dos sistemas de computadores. Este processo abrange desde o ajuste de hardware — como roteadores, switches e firewalls — até o desenho de protocolos, esquemas de endereçamento IP, e a definição de rotas e políticas de segurança. O objetivo é fazer com que a rede tenha o comportamento esperado.

Historicamente, essa configuração tem sido realizada de forma manual, exigindo áreas especializadas no desenvolvimento de linguagens específicas. No entanto, na medida em que as redes crescem em tamanho e complexidade, a configuração manual torna-se cada vez mais ineficiente e suscetível a erros.

Para enfrentar o desafio da complexidade, a configuração de redes se tornou um pilar central em estruturas de automação. A última grande proposta para a automação de redes, como Nelson Fonseca explica, é o paradigma Zero-touch Network & Service Management (ZSM). Ele prevê um conjunto de capacidades avançadas, incluindo autorrecuperação, automonitoramento, auto-otimização e, crucialmente, autoconfiguração. Esses conceitos de automação fazem parte do campo de outros como autonomic network e cognitive network, que já são discutidos há mais de 20 anos e estão relacionados ao zero touch network.

Dentro do framework de gerenciamento de redes, o caminho para a autoconfiguração passa pela especificação da rede através de intenções (intent-driven networks). Essas intenções são expressas em linguagem natural. Com isso, um administrador de rede, ou mesmo uma pessoa não especialista, pode simplesmente dizer o que deseja que seja implementado na rede.

Isso se relaciona ao conceito de redes programáveis, onde APIs de alto nível permitem que os usuários programem sua rede, especificando como desejam que ela atue para suportar suas aplicações. O grande desafio, nesse contexto, é a tradução dessas intenções escritas em linguagem natural em uma especificação de configuração de rede sintática e semanticamente válida.

A autoconfiguração orientada por intenções, baseada em Modelos de Linguagem de Grande Porte (LLMs), demonstrou um potencial significativo. Contudo, o uso de LLMs tradicionais apresenta barreiras como o alto custo computacional e consumo intensivo de recursos. Os LLMs tipicamente ficam em nuvem, exigindo muitos recursos e gasto energético.

Para contornar essas limitações, foi apresentada uma abordagem leve baseada em um Small Language Model (SLM). O SLM, ao contrário do LLM, pode ser rodado localmente (on-premise), com um consumo menor de energia.

Essa abordagem inovadora utiliza um SLM ajustado finamente (fine-tuning), construído sobre uma arquitetura de agentes. O fine-tuning é essencial para prover ao SLM informações específicas, especializando-o para que ele tenha conhecimento de domínio e possa oferecer as configurações necessárias.

Ao empregar técnicas de eficiência paramétrica, esse framework permite a tradução rápida de solicitações de configuração (expressas em linguagem natural) em configurações de rede válidas. O fato de poder ser realizado totalmente on-premise garante eficiência, precisão e privacidade.

Essa estratégia aponta para um caminho seguro e prático para a autoconfiguração automatizada e orientada por intenções em sistemas de próxima geração.

 

 

 

Compressão consciente

Como a técnica contribui para a evolução da IoT com modelos capazes de se autopodar durante o seu treinamento

A intersecção entre Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e Computação de Borda está redefinindo a indústria e a saúde. O trabalho do pesquisador Marcelo Fernandes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que atua há 25 anos com IA, explora essa integração. Ele hoje faz parte de três linhas temáticas dentro do INCT ICoNIoT: IoT Industrial, Computação de Borda e Saúde.

Marcelo Fernandes

Marcelo explica que um dos grandes obstáculos ao implantar aprendizado de máquina (ML) em dispositivos de IoT é o tamanho dos modelos. Embora os modelos de ML para IoT não sejam modelos de linguagem e sejam menores que os Large Language Models (LLMs), eles ainda podem ser grandes demais para caber em dispositivos limitados. A solução proposta envolve modelos comprimidos. Marcelo Fernandes, em colaboração com o professor H. T. Kung da Universidade de Harvard, desenvolveu duas técnicas inovadoras de compressão consciente. A compressão é dita “consciente” porque o modelo não apenas aprende a realizar sua função, mas também aprende a se comprimir. Isso é feito durante o treinamento, no qual o modelo é forçado a usar menos bits e a se autopodar, tirando nós para determinar sua importância. Existem outras técnicas que reduzem o modelo após o treinamento, mas isso geralmente resulta em uma queda na acurácia.

As duas técnicas propostas pelos pesquisadores nessa linha são:

  1. COMPRESSÃO CONSCIENTE ITERATIVA BASEADA EM QUANTIZAÇÃO SEGUIDA DE PODA (Iterative Aware Compression Based on Quantization Followed by Pruning).
  2. COMPRESSÃO CONSCIENTE ITERATIVA BASEADA EM POD SEGUIDA DE QUANTIZAÇÃO (Iterative Aware Compression Based on Pruning Followed by Quantization)

A primeira publicação dos pesquisadores acerca do assunto foi feita em 2021 (doi: 10.1109/IJCNN52387.2021.9534430). Desde então, Fernandes vem testando as técnicas com foco em aplicações diversas. Pela primeira vez estão sendo aplicadas em dispositivos de IoT – esse foco teve início quando Marcelo Fernandes começou a trabalhar junto ao ICoNIoT. Ele tem um aluno de doutorado, Mateus Golbarg, e um de mestrado, Vitor Fidelis Freitas, na UFRN, também trabalhando nessa perspectiva. Eles priorizam a linguagem C, mais adequada para esses dispositivos.

 

 

Projeto Bike SP busca melhoria da mobilidade urbana

Ideia é incentivar o uso de bicicletas em São Paulo remunerando os usuários ativos

O Projeto Bike SP surgiu da necessidade de tornar a mobilidade urbana mais eficiente, inclusiva e ambientalmente inteligente. A ideia é incentivar que mais pessoas utilizem a bicicleta como meio de transporte em São Paulo, elegendo-a para fazer seus deslocamentos entre a casa e o trabalho, a escola, a universidade e outros pontos que façam parte da rotina de cada um. Para incrementar esse incentivo, o projeto garante aos ciclistas créditos para uso no transporte público (ônibus, trem e metrô).

O pesquisador Fabio Kon, membro do IcoNIoT, é do IME-USP e faz parte da equipe que coordena o projeto. Ele explicou em detalhes como funciona essa iniciativa e quais as tecnologias envolvidas.

A ideia central é utilizar um aplicativo (desenvolvido inicialmente para Android) para rastrear os deslocamentos que os usuários fazem de bicicleta, e entender esse comportamento, em busca de informações que possam contribuir para informar a criação de políticas públicas. O projeto não se limitará a gerar dados para um grupo específico de políticas, mas servirá como um arcabouço geral de como pesquisas científicas podem embasar políticas públicas para a melhoria da mobilidade urbana nas grandes cidades.

Piloto

Neste momento, há 1217 pessoas participando do piloto do projeto. As viagens de bicicleta dessas pessoas são monitoradas por meio do app instalado em seus celulares, que rastreia seus deslocamentos e envia esses dados para o servidor. O servidor armazena os dados dessas viagens – já coletamos dados de mais de 26 mil viagens. Até o dia 30 de agosto, as viagens foram remuneradas..

Como funciona?

Durante cada viagem, o app coleta a posição da pessoa a cada 30 segundos. São utilizados dados dos acelerômetros do celular  para verificar se o trajeto está sendo realizado de bike de fato, o que é verificado por meio de algoritmos de IA. Além dos acelerômetros, são importantes as coordenadas de GPS – cada pequeno trecho da viagem da pessoa tem a velocidade média verificada, com o intuito de averiguar se ela está, de fato, de bike. 

É importante que o sistema confira se as viagens foram feitas de bicicleta, de fato, porque os dados coletados decidem sobre a remuneração que o usuário receberá. A cada semana, é sorteado o valor que servirá de recompensa por quilômetro pedalado. No final de cada semana, o sistema verifica as viagens feitas, a quilometragem, e multiplica pelo valor que o usuário deverá receber. 

Nem todas as viagens que os usuários fazem de bike valem: a ideia é coletar os dados de viagens essenciais do cotidiano, como os deslocamentos de casa até o trabalho, à faculdade ou à escola, e terminais de transporte público. Os usuários cadastram esses pontos de deslocamento e o sistema transforma os endereços em latitude e longitude. É feito então o cálculo da distância entre os pontos de deslocamento.

O projeto tem entre seus principais objetivos ajudar na compreensão de quanto é preciso remunerar para que as pessoas sejam realmente incentivadas a usar a bicicleta em seus deslocamentos diários essenciais. Os valores de remuneração serão propostos a partir dessas análises. 

Informações produzidas

As informações coletadas pelo sistema do Projeto Bike SP vão construir uma grande base de dados que será, em seguida, analisada por uma equipe multidisciplinar formada por estatísticos, economistas e cientistas da computação. 

O aplicativo desenvolvido tem a capacidade de coletar dados detalhados acerca de cada quarteirão pelo qual a pessoa passou enquanto pedalava; com isso, o sistema tem a potencialidade de gerar informações inéditas sobre a mobilidade urbana em São Paulo. Esse dataset será único e terá uma utilidade direta para a prefeitura planejar a expansão da estrutura cicloviária em SP. Atualmente, há 740km de ciclovias e ciclofaixas na cidade, e a ideia é triplicar essa extensão em dez anos. 

Ao mostrar por onde circulam os ciclistas na cidade e quais os desafios que eles enfrentam nesses circuitos, a base de dados poderá servir de pilar para decisões como onde avançar na construção de mais ciclofaixas. Hoje, em muitos casos, as ciclovias de SP são como ilhas; por estarem desconectadas, obrigam os ciclistas a deixar a ciclovia e retornar mais adiante. Com isso, não há outra alternativa a não ser se misturar com os carros – o que gera insegurança. Dados mostram que, por conta dessa insegurança, as mulheres – que normalmente demonstram mais cuidado no trânsito – são uma grande minoria entre os ciclistas de São Paulo.

Tecnologias envolvidas no sistema

O sistema do Projeto Bike SP comunica-se com o sistema da SPTrans, informando ao sistema da prefeitura qual é o valor que deve ser pago a cada usuário que pedala. Além disso, para que o sistema funcione corretamente, ele precisa estar conectado a diversas outras aplicações.

Por exemplo, a API TomTom faz o cálculo da distância entre os pontos de deslocamento, sendo que essa distância é calculada de uma forma que uma bike possa fazer.  O Crashlytics é um aplicativo que informa erros no app que podem ocorrer enquanto ele é usado pelas pessoas; informações sobre os erros são geradas para que o sistema gerenciador possa resolver. O FCM permite que sejam enviadas mensagens a todos os usuários do sistema, ao mesmo tempo. O AppCheck tem a função de evitar que sejam registradas viagens falsas; utilizando criptografia, ele verifica se o app que está sendo usado é exatamente o que foi baixado. Para isso, a assinatura digital do app é verificada.

Confira um esquema visual das tecnologias envolvidas no projeto

Inteligência artificial

A inteligência artificial é utilizada no projeto com o objetivo de detectar se a viagem foi feita de bike de fato: é aplicado aprendizado de máquina para analisar o acelerômetro celular. Além disso, está em construção um painel analítico que vai contribuir para que a equipe do projeto enxergue as 30 mil viagens de uma forma que faça sentido. Ele contará com um dashboard para essa visualização de dados de forma organizada. Nesse sistema de análise, serão aplicadas técnicas de clustering para detectar padrões e agrupar os usuários em categorias – por exemplo, o que foi muito impactado pelo incentivo será identificado, tornando possível entender para quem (qual perfil de usuário) especificamente a política pública será desenvolvida.

Veja como é o painel administrativo do BikeSP

Nosso próximo seminário será no dia 4/9

O próximo seminário do INCT ICoNIoT será ministrado no dia 4 de setembro, 5a feira, pelo Prof. Dr. Andre de Almeida (IFRN) com o título “Do Design à Operação: Oferecendo suporte à construção de Gêmeos Digitais com MidDiTS”.
Data: 04/09/2025
Hora: 16:00h
Palestrante: Prof. Andre de Almeida – Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN)

Resumo da apresentação:

ICoNIoT lamenta o falecimento de Liane Tarouco

CCSC Research Lab é inagurado na UFMG

O laboratório é coordenado pela pesquisadora do ICoNIoT Michele Nogueira

No dia 13 de agosto de 2025 foi inaugurado no Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais o CCSC Research Lab, Laboratório de Ciência em Cibersegurança e Inteligência Artificial. O laboratório é coordenado pela pesquisadora Michele Nogueira, membro do comitê gestor do INCT ICoNIoT, em colaboração com os professores Aldri Santos e Adriano Veloso.

O CCSC Research Lab tem como foco o desenvolvimento de soluções inovadoras na interseção entre #Cibersegurança e #IA, objetivando tornar sistemas digitais mais seguros, resilientes e confiáveis.

A iniciativa tem linhas de pesquisa voltadas para segurança cibernética e defesa de rede, inteligência artificial para segurança, privacidade e proteção de dados, sistemas seguros e segurança da IoT, entre outros focos.

Para saber mais, acesse o site do laboratório:

https://ccsc.dcc.ufmg.br/

 

Inspiração: Thais Batista vira personagem de livro da Série Meninas Digitais

A trajetória e a carreira de sucesso de Thais Batista – pesquisadora, professora da UFRN e membro do comitê gestor do INCT ICoNIoT – inspiraram o segundo livro da Série Meninas Digitais, escrito por Aletéia Patrícia de Araújo, Renata de Figueiredo e Mirella M. Moro e recém publicado pela editora InVerso. Intitulado A Cientista do Software às Nuvens: Thais Vasconcelos Batistao livro apresenta uma linguagem acessível e tem o propósito de inspirar meninas e mulheres a seguir carreira na Ciência da Computação. Ele foi lançado no CSBC, dia 22 de julho último.

A cientista do software às nuvens

Como se sabe, ainda é tímida a presença das mulheres nas ciências exatas, e por isso são tão relevantes as iniciativas que quebram estereótipos e rompem com padrões. Esses projetos ajudam meninas a acreditarem que podem seguir carreira profissional em áreas em que, muitas vezes, não se veem simplesmente porque não encontram identificação.

O Programa Meninas Digitais, do qual a série de livros faz parte, teve início em 2011 sob a coordenação da Secretaria Regional da SBC – Mato Grosso e, em 2015, foi institucionalizado pela SBC como programa de interesse nacional da comunidade. Ao divulgar a área da Computação, procura despertar o interesse de estudantes do ensino médio/tecnológico ou dos anos finais do ensino fundamental para que, conhecendo melhor a área, se vejam seguindo a carreira em Computação.

O Meninas Digitais surgiu a partir de discussões no WIT – Women in Information Technology, evento satélite do Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, que está em sua quinta edição. O WIT é uma iniciativa da SBC para discutir os assuntos relacionados a questões de gênero e a Tecnologia de Informação (TI) no Brasil – histórias de sucesso, políticas de incentivo e formas de engajamento e atração de jovens, especialmente mulheres, para as carreiras associadas à TI.

Thais Batista é inspiração

Thais Batista atua nas áreas de Engenharia de Software e Sistemas Distribuídos. Ela nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e desde jovem se interessava pelas exatas. Quando prestou vestibular, o curso de Computação havia sido criado recentemente em João Pessoa. Thais tem um grande envolvimento com a inclusão de meninas e mulheres na ciência, participando ativamente de grupos e projetos dedicados a esse objetivo.

Primeiro livro da série foi finalista no Jabuti Acadêmico este ano

O livro que conta a trajetória de Thais Batista é o segundo da Série Meninas Digitais. O primeiro volume da série, intitulado “A cientista colecionadora de dados”, é dedicado à pesquisadora Claudia Maria Bauzer Medeiros –  primeira mulher a ser presidente da Sociedade Brasileira de Computação. Ele foi indicado como finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico no ano de 2025, no eixo Ciência e Cultura – Ciência da Computação. Assinam o primeiro livro as autoras Aletéia Patrícia Favacho de Araújo, Luciana Salgado, Mirella M. Moro e Sílvia Amélia Bim, tendo sido também o volume de estreia publicado pela editora InVerso, em 2024.

Dissertação orientada por Divanilson Campelo conquista terceiro lugar no CTD no CSBC 2025

A dissertação de mestrado de  Luigi Luz, “Enhancing Cybersecurity of Automotive Ethernet Networks with Deep Learning-based Intrusion Detection Systems”, orientada pelo pesquisador Divanilson Rodrigo Campelo, foi premiada com o terceiro lugar no CTD, o Concurso de Teses e Dissertações do CSBC.

Divanilson, que é Professor Associado do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco, é coordenador de laboratório do INCT ICoNIoT. A dissertação premiada foi co-orientada pelo professor Paulo Freitas de Araujo Filho, também do Centro de Informática da UFPE.

A pesquisa parte da necessidade cada vez maior de redes intraveiculares mais rápidas e flexíveis, como as baseadas em Ethernet automotiva, para interconectar os diversos sistemas existentes nos veículos. Essa conectividade ampliada traz novas possibilidades, mas também levanta preocupações com a segurança cibernética nos veículos. Soluções tradicionais de segurança, como criptografia e autenticação, possuem restrições quando consideradas em um ambiente de recursos limitados como o intraveicular. Diante disso, sistemas de detecção de intrusão (intrusion detection systems, IDSs) surgem como uma linha adicional de defesa, sendo ativados quando outros mecanismos de defesa falham. IDSs monitoram dispositivos e redes para identificar intrusões e reportar atividades maliciosas, além de não exigirem mudanças nas mensagens que os dispositivos já trocam.

Técnicas de aprendizado de máquina (machine learning, ML) e aprendizado profundo (deep learning, DL) têm se mostrado eficazes na criação de IDSs, pois conseguem identificar padrões ocultos em dados de alta dimensionalidade, como o tráfego em redes intraveiculares. No entanto, os modelos de DL geralmente exigem maior poder de processamento e espaço de armazenamento, o que dificulta sua aplicação em sistemas com recursos limitados, como os encontrados nos veículos.

Sendo assim, a dissertação propõe dois IDSs baseados em aprendizado profundo, desenvolvidos para detectar ataques cibernéticos em redes Ethernet automotivas com rapidez e precisão, considerando os recursos e requisitos do ambiente intraveicular.

Receber o prêmio é um motivo de grande celebração, já que o CTD do CSBC é um dos concursos mais relevantes e disputados da área. A premiação contempla todas as sub-áreas da Computação!

Acesse a dissertação – https://lnkd.in/deJZqH-7